Gripe suína e crise são temas da 1ª fase da Fuvest

Abstenção foi de 5,95%, a mais alta desde 2006; para candidatos, matemática e física estavam difíceis

Elida Oliveira, Paulo Saldaña, Evandro Fadel, Ligia Tuon, Karina Toledo, Diana Dantas e Ivana Moreira, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2009 | 00h00

A primeira fase da Fuvest, realizada ontem em 109 locais de prova, teve questões sobre a gripe suína e a crise financeira mundial. Candidatos que fizeram o exame reclamaram da dificuldade das perguntas de matemática e de física.

A prova teve 90 questões de múltipla escolha de português, matemática, história, física, geografia, química, biologia e inglês. Desde 2007, cerca de 10% das perguntas são interdisciplinares. Um exemplo neste ano foi a questão sobre gripe suína, que misturava matemática, história e biologia. Uma das alternativas de resposta mencionava a análise combinatória das proteínas do vírus da gripe, uma outra comparava a doença à gripe espanhola e a terceira falava do sistema imunológico.

Já a crise financeira apareceu na prova de inglês, em textos que mencionavam o desemprego. "Tem que estar acompanhando, ligado no que está acontecendo", disse Estela Lúcia Tavares, que fez a prova em Curitiba e quer cursar Direito.

O índice de abstenção foi de 5,95%, o maior desde o vestibular de 2006. Isso representa 7.624 alunos do total de 128.144 inscritos. A primeira fase do vestibular foi feita em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba. O maior número de faltas foi em Belo Horizonte, índice de 18,49%.

A lista de aprovados para a segunda fase, em janeiro, sai no dia 14 de dezembro. Para a coordenadora do Cursinho da Poli, Alessandra Venturi, o grau de dificuldade seguiu a média da Fuvest. Ela considerou que apenas biologia foi mais fácil do que nos anos anteriores. "Matemática e português exigiram uma atenção maior dos candidatos, mas um aluno bem preparado não encontrou grandes dificuldades." Para ela, a prova deste ano conseguiu ser mais interdisciplinar.

Fábio Oliveira, de 17 anos, candidato a uma vaga em Jornalismo, foi um dos primeiros a sair do câmpus Pinheiros da Unip. Para ele, a parte de humanas estava fácil, mas exatas, não. "Foi muito conteudista, com teorias e cálculos aprofundados." Muitos alunos reclamaram de uma questão que pedia para descobrir o baricentro, o ponto de intersecção das medianas de um triângulo. Rodrigo Alvarez, de 17 anos, que presta Administração, achou física mais complicada. "Nem fiz algumas contas."

Para o diretor do Sistema COC, Miguel Castro, apesar das questões interdisciplinares, a prova da Fuvest não se compara à do Enem. "Foi bem tradicional, como era até então." No geral, o exame foi considerado de nível médio e fácil. "Um candidato bem preparado fez com tranquilidade."

O estudante de escola pública Guilherme Bessa Bronzatto, de 17 anos, diz que a Fuvest cobrou conteúdos que não foram ensinados para ele. "Tinham umas reações em química que eu nunca vi na vida. Tendo como base a escola pública, a educação é deplorável."

A Fuvest deste ano mudou e a primeira fase deixou de contar pontos na nota final. Ela servirá apenas para que o candidato acumule a quantidade de pontos mínimos (nota de corte) para passar para a segunda etapa. Além disso, a próxima fase terá agora todas as disciplinas. No primeiro dia, em 3 de janeiro, serão dez questões de português e a redação. No dia 4, 20 perguntas dissertativas de história, geografia, matemática, física, química, biologia e inglês, além das interdisciplinares. No último, dia 5, haverá questões de duas ou três disciplinas, de acordo com o curso escolhido.

A Fuvest oferece 10.797 vagas na Universidade de São Paulo (USP), Santa Casa e da Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Por causa do adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a Fuvest deixou de computar a nota da prova no seu vestibular.

Números

128.144 candidatos

eram esperados na 1.ª fase

5,95% dos inscritos

não compareceram. O índice superou o do ano passado (5,32%)

10.812 vagas

são disputadas no vestibular deste ano, sendo 10.607 na USP

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