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Antero Greco
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Gritaria precoce

O presidente do Palmeiras ficou indignado com erros de arbitragens contra a equipe dele e visitou a CBF para reclamar. Na sequência, coube ao principal dirigente do São Paulo chiar com decisões do pessoal do apito que estariam a prejudicar o time que comanda. Nessa onda embarcaram também diretor e técnico do Inter. Só pra ficar em exemplos recentes, fresquinhos, dos últimos dias. São apenas 10 rodadas do Brasileiro e já está em campo o esporte preferido: espernear contra os juízes de futebol.

ANTERO GRECO, O ESTADO DE S.PAULO

22 Junho 2016 | 06h18

Não se negue o direito de pôr a bronca no trombone a quem quer que seja. Liberdade de expressão, até algum Ato Institucional em contrário (isola! sai pra lá!), faz parte do jogo democrático. De fato, falhas de Suas Senhorias ocorrem em abundância – e hoje são mais detectáveis com as dezenas de câmeras de tevês espalhadas pelos estádios e com milhares de celulares a filmarem nas arquibancadas. Impedimentos de centímetros rendem discussões intermináveis nas mídias.

Mas tem muito jogo de cena em certas reações indignadas. Para início de conversa, cartolas recorrem às altas esferas para marcar posição e mostrar para as respectivas torcidas que não dormem no ponto. Ok, também está nos rituais do cargo, para afastar críticas sobre omissão. Aproveitam a oportunidade para fazer pressão disfarçada, com o objetivo de, no mínimo, evitar erros no futuro. Aquela de colocar a pulga atrás da orelha do árbitro nas próximas partidas de tal e qual time. 

O corpo a corpo deixa no ar, ainda, a sugestão de que algo estranho está a rondar a trajetória do clube numa competição. Os mais sutis não falam em roubo; os descarados, sim. Uns e outros detectam esquisitices, que o torcedor em sua cegueira apaixonado compra logo como teoria de conspiração.

Raros, esporádicos, eventuais os que reconhecem precariedade no preparo de grande parte dos responsáveis pelas arbitragens. Poucos os que defendem, sem que seja da boca pra fora, profissionalização do apito. Não há movimento coordenado, sistemático para exigir da CBF mudanças no setor. Entra ano, sai temporada sem que se deixe de estrebuchar em vez de consertar e melhorar.

Cada um olha para o próprio umbigo, sem preocupação com o todo. Choramingar só quando pisam no calo. Por acaso você, caro leitor, lembra de técnico, jogador, dirigente de seu time falar nos microfones que o árbitro errou em favor deles? É comum o treinador lamentar que um equívoco do juiz tirou pontos do adversário? Ou um atleta admitir que não foi pênalti, que fez falta no zagueiro, que empurrou a bola com a mão para o gol? Silêncio, reticências, mentiras, sorriso debochado são as atitudes mais comuns nessas horas.

O contrário é usual. No domingo, após a derrota do Inter para o Figueirense, o técnico Argel Fucks veio com a observação de que é estranho escalarem um árbitro paulista (no caso Luís Flávio de Oliveira) num jogo da equipe dele. Por quê? Porque ela briga pela liderança com times... paulistas. Que tipo de ilação faz o fã mais miolo mole? No mínimo, que estão metendo a mão no clube, que é perseguição, armação e coisas do gênero. Ninguém é ingênuo para acreditar em lisura e transparência totais; o futebol, infelizmente não é dominado por humildade franciscana. Muitos são os episódios obscuros. Daí a tecer tramas sinuosas vai dose de maldade. E, nada melhor do que erro de juiz – real ou imaginário – para mascarar as próprias limitações. Transferir culpa também faz parte do jogo.

NOVA DIREÇÃO

Cristóvão Borges inicia hoje desafio tremendo de substituir Tite no Corinthians. Tarefa complicada, e logo de cara tem a visita ao Atlético-MG. Parece chover no molhado, mas não se deve esperar mudança drástica de uma hora para outra. Tempo e paciência com o moço. 

DÚVIDA

Uma onça saiu do controle dos tratadores, em Manaus, e precisou ser morta. A pergunta que fica no ar: por que ela foi levada em cerimônia de passagem da tocha olímpica?

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