Grupo colombiano compra corretora no Brasil

InterBolsa fica com 90% da paulista FinaBank e prevê crescimento rápido no País via aquisições

Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

09 de março de 2010 | 00h00

PROJETOS -Para Jaramillo, a operação brasileira vai dar impulso para dobrar o tamanho da empresa

A robustez do mercado financeiro do Brasil tem, aos poucos, se mostrado atraente para os estrangeiros. Quem acaba de desembarcar no País é a colombiana InterBolsa, um dos maiores grupos de investimento da América Latina. Com a autorização do Banco Central, o grupo acaba de fechar a compra de 90% do capital da corretora paulista FinaBank, que a partir de agora ganha o nome do novo dono. A FinaBank é a 14ª corretora no ranking da BM&FBovespa e custou ao empresário Rodrigo Jaramillo Correa, dono da InterBolsa, por volta de R$ 20 milhões.

O colombiano, que fundou a empresa há 20 anos e hoje é responsável por uma a cada três operações na bolsa do vizinho sul-americano, tem planos ambiciosos. "Quero dobrar o tamanho da InterBolsa em cinco anos graças ao Brasil. O mercado brasileiro é muito maior que o colombiano e tem ótimas perspectivas", diz.

Uma das formas de turbinar os negócios por aqui, segundo Jaramillo, será por meio de aquisições. Para isso, o investidor diz ter planos de desembolsar pelo menos outros R$ 20 milhões no próximos dois anos na nova subsidiária.

Além do Brasil, a InterBolsa opera em Bogotá, Nova York e no Panamá. "O crescimento orgânico seria muito lento. O Brasil tem potencial para crescer rapidamente. Além disso, os ativos não estão tão caros, apesar de o País ser uma das apostas internacionais", comenta.

Apesar do claro apetite pelos negócios brasileiros, Jaramillo diz que a expansão será cautelosa e, por ora, não está em negociação com nenhuma outra corretora.

Para cuidar dos negócios no Brasil, Jaramillo escolheu Lourival Kós Antunes Maciel, ex-Fininvest. Além de estruturar o novo negócios, Maciel terá a missão de preparar a InterBolsa para novos negócios. A intenção de Jaramillo é atrair os fundos de pensão e os grandes investidores colombianos para o território brasileiro.

O nó legal já começou a ser desfeito. Existe um memorando de entendimento entre os bancos centrais do Brasil e da Colômbia, assinado no fim do ano passado, que facilita a relação entre os dois países.

Além de oferecer o serviço de corretagem, Jaramillo tem planos para operar no Brasil com fundos de investimento. Duas áreas chamam a atenção do empresário: infraestrutura e mercado imobiliário. Mais adiante, ele acredita que o agronegócio também entrará na mira da InterBolsa.

A InterBolsa administra cerca de US$ 3 bilhões em ativos. Seu capital é de US$ 300 milhões e a companhia está listada na bolsa colombiana. Não há planos para fazer o mesmo no País, até porque a InterBolsa brasileira tem 90% do seu capital nas mãos de Jaramillo. Os outros 10% ficaram com um dos corretores da antiga FinaBank.

INTERESSE ESTRANGEIRO

A InterBolsa não foi a primeira estrangeira a aportar no País. Em outubro do ano passado, o empresário Eduardo Rocha Azevedo, ex-presidente da Bovespa e criador da BM&F, dono da corretora Convenção, fechou negócio com o grupo inglês Tullet Prebon, um dos maiores do mundo em negociações de renda fixa e derivativos.

No ano anterior, foi a vez de outra inglesa, a Icap, fechar negócio com a brasileira Arkhe. Também em 2008, o Citibank comprou a Intra Corretora e a britânica BGC ficou com a Corretora Liquidez.

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