Grupo islâmico se declara vencedor de eleição na Tunísia

Políticos islâmicos moderados declararam-se vitoriosos na primeira eleição democrática da história da Tunísia, enviando a outros países da região a mensagem de que os grupos religiosos, por tanto tempo marginalizados, querem participar do poder na esteira da Primavera Árabe.

TAREK AMARA E ANDREW HAMMOND, REUTERS

24 Outubro 2011 | 17h36

Os resultados oficiais do pleito de domingo ainda não foram anunciados, mas o partido Ennahda disse que seus funcionários somaram os números divulgados nas seções eleitorais de todo o país.

"Os primeiros resultados confirmados mostram que o Ennahda obteve o primeiro lugar", disse o coordenador de campanha Abdelhamid Jlazzi diante da sede do partido, no centro de Túnis. Ao ouvirem a notícia, muitas pessoas começaram a gritar "Allahu Akbar" (Deus é grande), e outras entoaram o hino nacional.

Ciente de que algumas pessoas na Tunísia e no exterior veem os políticos islâmicos como uma ameaça a valores modernos e liberais, Jlazzi salientou que o Ennahda não tentará monopolizar o poder.

"Não vamos poupar esforços para criar uma aliança política estável na Assembleia Constituinte. Tranquilizamos os investidores e os parceiros econômicos internacionais", afirmou.

Caso o resultado se confirme, o Ennahda terá de dividir o poder com partidos laicos.

A votação de domingo escolheu os parlamentares que passarão um ano redigindo a nova Constituição e que nomearão um governo provisório, que permanecerá até a realização de eleições no final de 2012 ou começo de 2013.

A Tunísia foi o berço da onda de revoltas conhecida como Primavera Árabe que resultaram na queda dos governantes autocráticos da Tunísia, do Egito e da Líbia, além de convulsões no Iêmen e na Síria.

O Ennahda é dirigido por Rachid Ghannouchi, um acadêmico que passou 22 anos exilado na Grã-Bretanha devido a perseguições sofridas durante o governo do presidente Zine al Abidine Ben Ali.

Ele diz que seu modelo é a Turquia do primeiro-ministro Tayyip Erdogan, um político islâmico moderado em um sistema estritamente laico.

Alguns tunisianos, no entanto, o veem com desconfiança, temerosos pela tradição laica que remonta ao presidente Habiba Bourghiba, primeiro governante após o fim do colonialismo francês.

O Partido Democrático Progressista, que admitiu sua derrota na segunda-feira, alertou durante a campanha que os valores modernos e liberais do país estariam ameaçados em caso de vitória dos políticos islâmicos.

Em nota enviada à Reuters, o PDP disse que "respeita o jogo democrático", "congratula o vencedor e estará nas fileiras da oposição."

(Reportagem adicional de Andrew Hammond, em Sidi Bouzid; de Abdelaziz Boumzar, Mohamed Argoubi e Warda Al-Jawahiry, em Túnis; e de Hamid Ould Ahmed, em Argel)

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