Grupo ligado à Al Qaeda promete atacar rebeldes e líderes de oposição na Síria

Uma organização afiliada à Al Qaeda no Iraque e na Síria prometeu esmagar outros grupos rebeldes antagônicos e atacar partidários da Coalizão Nacional Síria, grupo de oposição que tem apoio ocidental na luta contar o governo de Bashar al-Assad.

Reuters

08 de janeiro de 2014 | 09h56

As ameaças constam em uma gravação divulgada pelo porta-voz do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) na noite de terça-feira, horas depois de o líder de outra "filial" síria da Al Qaeda, chamada Frente Nusra, declarar uma trégua para interromper cinco dias de combates entre rebeldes anti-Assad.

"Esmagá-los completamente e matar a conspiração em seu berço", disse o porta-voz, conhecido como Abu Mohammed al-Adnani.

Embora a Frente Nusra e o Estado Islâmico se vinculem à rede global da Al Qaeda e acolham militantes estrangeiros, a Frente Nusra está mais focada em derrubar Assad do que em criar um emirado islâmico, que é o principal objetivo do EIIL.

O EIIL, que luta para assumir o controle de áreas dominadas pela oposição, surgiu de uma reestruturação da Al Qaeda iraquiana, mas sua expansão para o Iraque enfrentou a oposição da direção central da Al Qaeda, que havia reconhecido a Frente Nusra.

Adnani disse que outros militantes sunitas foram atraídos para uma conspiração contra o EIIL.

"Aqueles que são de batalhões que erguem as bandeiras do islã, quem enganou vocês? Quem implicou vocês e os fez aderirem a uma luta contra os mujahideen?", disse ele.

Na semana passada, grupos rebeldes lançaram o que parecia ser uma série de ataques coordenados contra o EIIL no norte e leste da Síria, após meses de crescentes tensões com o grupo. A Coalizão Nacional, principal grupo de oposição política, com apoio do Ocidente e de governos árabes sunitas, deu aval a esses confrontos.

Adnani disse também que os combatentes do EIIL vão "arrancar as cabeças" de todos os líderes da Coalizão Nacional e de grupos rebeldes associados.

"Matem-nos onde os encontrarem, e sem dignidade", afirmou. "Eles lançaram esta guerra contra nós, a começaram. Portanto, quem for membro dessa entidade é um alvo legítimo para nós onde estiver, a não ser que declare publicamente sua inocência em relação a essa seita e renuncie à sua luta contra os mujahideen."

Não foi possível verificar a autenticidade da declaração, que teve ampla repercussão em redes sociais islâmicas.

Pelo menos 274 pessoas morreram nos combates entre rebeldes desde sexta-feira, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, ligado à oposição laica.

(Reportagem de Erika Solomon)

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