Grupo ocupa Câmara de Santa Maria há três dias

Cerca de 150 familiares e amigos das vítimas do incêndio na Boate Kiss passaram a terceira noite dentro do prédio da Câmara de Vereadores de Santo Maria, no Rio Grande do Sul. O grupo ocupa o local desde a noite dessa terça-feira, 25. Eles pedem a anulação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga responsabilidades do poder público pela tragédia, em janeiro deste ano, que matou 242 pessoas.

GABRIELA VIEIRA, Agência Estado

28 de junho de 2013 | 10h39

A ocupação teve início após a descoberta de uma gravação de áudio, feita em abril, onde a presidente da CPI Maria de Lourdes Castro (PMDB), o vice Tavores Fernandes (DEM) e um assessor criticam a relatora Sandra Rebelato (PP) e dão a entender que a investigação não deveria "dar em nada".

Além do afastamento dos integrantes da Comissão, o grupo exige também a exoneração do procurador jurídico do Legislativo, Robson Zinn, que é do mesmo partido do prefeito Cezar Schirmer, o PMDB. De acordo com o coordenador do Movimento Santa Maria do Luto à Luta, Flávio da Silva, os familiares e amigos querem também a cassação dos vereadores da CPI e do prefeito da cidade.

Devido a ocupação, a Casa está com o expediente suspenso desde quarta, 26. O depoimento de Schirmer à CPI, marcado para quarta, foi suspenso. Em nota, a Câmara informou que "a medida foi tomada por questões de segurança, pois os servidores não tem mínimas condições de trabalho no local". Segundo o comunicado, as atividades do Legislativo só serão retomadas após a desocupação do prédio.

Tragédia

No dia 27 de janeiro, a casa noturna foi tomada completamente pelo fogo após a faísca de um show pirotécnico da Banda Gurizada Fandangueira queimar a espuma de revestimento acústico do local. A fumaça tóxica liberada pelo incêndio matou 234 pessoas - a maioria delas universitários - no dia do acidente. Outras oito vítimas não resistiram aos ferimentos e morreram posteriormente.

Os quatro acusados pela Justiça pelos homicídios (dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero, e dois músicos da Banda, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão) aguardam o julgamento em liberdade.

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