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Grupo protesta em frente à casa de Bolsonaro

Manifestantes ligados ao movimento Levante Popular da Juventude criticaram homenagem do deputado a torturador da ditadura

Antonio Pita, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2016 | 14h11

Cerca de 50 pessoas realizaram nesta manhã um ato contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), na frente de sua casa, na Barra da Tijuca, no Rio. O grupo ligado ao movimento estudantil Levante Popular da Juventude, carregava faixas e cartazes contra o parlamentar e o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Os manifestantes criticaram o discurso do parlamentar na votação do impeachment, no último domingo, em que Bolsonaro homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de tortura na ditadura militar. 

Os manifestantes picharam a rua com a frase "Bolsonaro Golpista",  mesma frase escrita em uma faixa erguida pelo grupo. Nos cartazes, as caricaturas representavam Jair Bolsonaro com o símbolo da suástica, utilizado por grupos nazistas. Com carros de som e instrumentos musicais, o grupo também encenou o discurso do parlamentar, caracterizado como o líder nazista Adolf Hitler. 

"Estamos aqui contra o discurso de ódio fascista. Sabemos que ele é o que há de mais podre na política brasileira, a ponta de lança do fascismo. Não vamos nos calar" , afirmou a manifestante Isis Araújo, em vídeo publicado na página do movimento estudantil na internet. 

Os manifestantes marcharam pela orla em frente ao condomínio do parlamentar, chamado de "Bolsomonstro", "rato" e "golpista", em referência ao seu apoio ao impedimento da presidente. 

Em nota, o parlamentar afirmou que estava em casa quando "desocupados com bandeiras vermelhas" fecharam a entrada de seu condomínio. Bolsonaro informou ter mandado recados aos manifestantes. "Se invadirem, não sairão. Minha propriedade privada é sagrada. Minha esposa e filhas nunca serão reféns de vocês".  

Durante a votação do impeachment, no último domingo, Bolsonaro declarou voto pela "memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff". A conduta do parlamentar na votação é alvo de questionamentos da OAB junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) por violação dos direitos humanos. O caso também é investigado pelo Ministério Público Federal. 

Ustra chefiou o Doi-Codi de São Paulo entre os anos de 1971 e 1974. O órgão era responsável pela repressão a militantes contrários à ditadura militar. Morto em 2015, Ustra foi o primeiro militar a responder um processo de tortura durante a ditadura. Ele é apontado como torturador da presidente Dilma, que na época militava em organizações clandestinas. 

O grupo Levante Popular pela Juventude é o movimento que realiza, desde a quinta-feira, atos contra o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP). Os atos, conhecidos como escracho, visam ao constrangimento dos políticos favoráveis ao processo de impeachment e à ditadura. 

Os manifestantes realizaram o ato em frente à casa de Temer, em São Paulo, na quinta-feira. Em reação ao protesto, o vice-presidente antecipou a viagem de volta à Brasília - Temer saiu do local agachado no carro para evitar abordagens. 

No dia seguinte, entretanto, cerca de 150 manifestantes realizaram novo ato no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente, em Brasília. No local, os ativistas alteraram placas de sinalização com faixas com a inscrição "QG do Golpe". 

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