Ayrton Vignola/AE–19/7/2010
Ayrton Vignola/AE–19/7/2010

Grupo reúne doações para levar Einstein ao Rio

Empresários e famílias ricas doam de R$ 3 milhões a R$ 6 milhões para que a cidade receba filial do renomado hospital paulista

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2011 | 00h00

Um grupo de empresários e famílias ricas do Rio está se mobilizando para fundar na cidade uma unidade do Hospital Israelita Albert Einstein, um dos melhores do País, com posição de excelência na América Latina.

Esse grupo entra no negócio como pessoa física, numa ação filantrópica. Eles farão doações de valores entre R$ 3 milhões e R$ 6 milhões para garantir cerca de 40% dos R$ 450 milhões estimados para a construção da unidade. A meta do grupo de reunir 50 financiadores está prestes a ser alcançada. Eles trabalham com a data de 30 de julho.

A decisão final de abrir uma filial no Rio ainda não está acertada pela direção do Einstein. O hospital confirma as negociações, mas não fala em valores enquanto os detalhes da operação não estiverem fechados. No passado, o Einstein fez uma sondagem no mercado carioca. Em 2007, foi avaliada a possibilidade de compra de instituições de referência no Rio, como o Samaritano e o Pró-Cardíaco, ambos adquiridos pela Amil.

"Caso se materialize a vinda do Einstein, será um marco na filantropia do Brasil. É uma iniciativa de pessoas preocupadas com a saúde do Rio, que não contam com incentivos fiscais. O que há, até agora, é um grupo de cariocas querendo trazer um hospital de excelência para a cidade onde estudam seus filhos e netos", afirmou o empresário Ronaldo Cezar Coelho, ex-deputado federal e ex-secretário de Saúde do município do Rio, um dos que participaram das reuniões em que foram articuladas as doações. Olavo Monteiro de Carvalho, do Grupo Monteiro Aranha, foi outro empresário que participou dos encontros.

A unidade do Rio de Janeiro deve ter convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS), mas não haverá nenhuma participação de governos - nem na doação de terrenos. Essa é uma das exigências do Einstein para garantir independência e evitar pedidos de políticos.

Segundo dados divulgados em novembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária, que investiga todos os estabelecimentos de saúde existentes no País, o Rio perdeu 3.196 leitos de internação entre 2002 e 2009. Nesses sete anos foram fechados 2.367 leitos públicos e 829 particulares.

Investimentos. As negociações para a abertura do Einstein na cidade ocorrem no momento em que outras instituições particulares investem no Rio. A Amil inaugura em 2012 um complexo com 395 leitos e 285 consultórios de várias especialidades. O investimento foi de R$ 240 milhões. O Estado obteve a informação de que a unidade receberá a chancela do Samaritano, hospital voltado para a classe A, comprado no início do ano pela empresa de assistência médica.

A Rede D"Or, dona de cinco hospitais na cidade e um em Niterói, também anunciou a construção de hospital de alto luxo, com previsão de abrir em 2013. Será o Copa D"Or Star, com 130 leitos e investimento de R$ 115 milhões.

O novo hospital - com emergência focada na cardiologia - ocupará um terreno de 3 mil metros quadrados na Rua Figueiredo Magalhães, próximo ao Copa D"Or, o primeiro da rede. Entre as novidades prometidas para o público abastado está a garantia de privacidade - o procedimento de atendimento evitará o encontro de pacientes na sala de espera. O Copa Star também terá alto investimento em tecnologia. O paciente internado no quarto, por exemplo, poderá chamar o enfermeiro acionando uma tela sensível ao toque.

A rede também abriu recentemente uma unidade de oncologia no Quinta D"Or, na zona norte. E prepara a expansão para a Baixada Fluminense e São Caetano do Sul (no ABC paulista).

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