Grupos a favor e contra a liberação pressionam STF

Ministros decidem se aborto de fetos com anencefalia será legalizado ou não

Felipe Racondo e Mariângela Gallucci - O Estado de S.Paulo

12 Abril 2012 | 03h03

 

BRASÍLIA - Desde a véspera da sessão de ontem no Supremo Tribunal Federal (STF), manifestantes contrários à liberação da interrupção da gravidez em casos de anencefalia faziam uma vigília na Praça dos Três Poderes. Religiosos fizeram orações e, durante a sessão, gritaram do lado de fora - sem que fossem ouvidos no plenário.

Mas a principal personagem do grupo contrário ao aborto foi a menina Vitória de Cristo. Nascida com acrania, ela tem atualmente 2 anos e 3 meses. Os pais a levaram quarta ao STF e, na terça-feira, visitaram alguns ministros da Corte na tentativa de convencê-los a votar contra a liberação da interrupção da gestação em caso de anencefalia.

Mais nova integrante do tribunal, a ministra Rosa Weber revelou ter recebido a visita da criança. Disse que ficou sensibilizada, mas acabou votando a favor da liberação.

Mais contido nas manifestações, o grupo favorável à interrupção nesses casos também teve sua protagonista: a pernambucana Severina Maria Leôncio Ferreira. Há oito anos, quando estava com três meses de gravidez, ela recebeu a notícia de que gerava um feto com anencefalia. Depois de reflexão, decidiu interromper a gravidez ancorada em uma liminar, então em vigor, concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello. Mas, quando se preparava para a intervenção, a liminar foi derrubada pelo plenário do STF. Severina teve de carregar o feto por mais quatro meses. Aos 7 meses de gravidez, sofreu um aborto espontâneo.

Ela esteve no Supremo para acompanhar o julgamento. Católica e mãe de um menino de 11 anos, contou que, antes dessa gravidez, tinha planos de ter outros filhos - projeto abandonado depois da experiência que ela considera como "a mais sofrida da vida". "É muita dor para uma mãe", afirmou, ao comentar a experiência de ter sido obrigada a manter a gravidez do anencéfalo, mesmo contra a vontade.

Na quarta, Severina foi apresentada ao ministro Marco Aurélio. Na rápida conversa, ele afirmou que o sofrimento de Severina serviu para que a Corte "avançasse" nesse assunto.

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