Lourival Ribeiro/Divulgação
Lourival Ribeiro/Divulgação

Guerrilheira começou a carreira como paquita

AI-5 Atriz buscou aulas, filmes e livros sobre ditadura

Thaís Pinheiro - O Estado de S.Paulo,

02 de abril de 2011 | 16h00

A protagonista de Amor e Revolução não é uma ilustre desconhecida do público. Antes de ser atriz, Graziella Schmitt foi paquita, andou "na linha" com Marlene Mattos e começou a fazer jornalismo. Com passagens pela Globo e pelo teatro - incluindo uma temporada no Coliseu de Lisboa - ela, aos 29 anos, diz que se sente preparada para encarar o desafio de dar vida a uma líder estudantil e guerrilheira.

Quando você decidiu que queria ser atriz?

Comecei a fazer um curso de interpretação pra TV com o Antônio Amâncio, no Rio, em 2001. Foi ali que descobri que queria ser atriz. A partir daí fui convidada para fazer um espetáculo teatral e depois disso me convidaram para fazer um teste para ser uma antagonista em Sandy & Junior.

Mas antes de tudo isso você tinha sido paquita.

Pois é. Eu tinha feito teatro amador quando tinha 12 anos e aos 13 comecei a trabalhar com a Xuxa. Fiquei cinco anos com a Xuxa, mas quando parei de trabalhar com ela, eu já estava fazendo jornalismo. Fiz até o quarto semestre, porque ia para São Paulo trabalhar como modelo. Tive um problema, não pude ir para São Paulo e resolvi fazer esse curso de interpretação. Não era algo que eu estava esperando, fui surpreendida. Aí pensei: "essa é a minha onda, não volto mais para o jornalismo".

A experiência como paquita lhe deu bagagem para a carreira de atriz?

Acho que traria bagagem para qualquer carreira que eu fosse escolher por causa da questão da disciplina. Se eu pegar um personagem que tenha que dançar, eu aprendi a dançar lá. O grau de exigência era alto, a Marlene começou a pedir que fizéssemos coreografias mais elaboradas. Então fiz muita aula de dança, muito plié.

Então, depois que você saiu do grupo é que começou mesmo a sua carreira como atriz.

Fui emendando vários trabalhos. Fiz dois anos de Malhação e ao mesmo tempo fiz dois espetáculos. Fiz minha graduação em arte dramática, fiz mais uma peça, trabalhei com o Domingos de Oliveira na peça Confronto, baseada no livro Elite da Tropa, onde eu era uma ex-garota de programa e mulher de traficante que tinha o sonho de ser uma diva. Fiz também uma série do Canal Brasil chamada Amorais, em que eu era uma protagonista mau caráter. Fiz um filme, voltei para Malhação e depois fiz o espetáculo Senhorita Júlia, do August Strindberg. Era uma personagem muito intensa porque ela cresce no meio do caos e do conflito e acaba se matando, então foi um desafio. E foi importante ter feito pra poder compor a Maria.

Seus personagens mais importantes foram fora da Globo?

Não, não. Um que foi muito legal foi a Vivi na minha primeira vez em Malhação, quando a gente dava 45 pontos no Ibope. Outras personagens muito importantes foram a Sabrina, do Limpe Todo o Sangue Antes que Manche o Carpete, a Carina, de Amorais, e agora tenho a Maria. A Maria é muito grande.

A Globo é referência em dramaturgia. Você teve receio de ir para o SBT?

Não, não tive receio algum. O que me faz aceitar um trabalho é sempre o conjunto da obra. Nesse caso, foi o convite do Sérgio Madureira, o tema, que eu amo de paixão, e a própria personagem. Na hora pensei: "a Maria é minha".

De onde vêm as referências para construir a Maria?

Comecei a ler os capítulos e, de imediato, contratei um professor de história para me dar um embasamento maior. Vi que a Maria tinha cenas de briga e fiz aulas de lutas. Durante esse processo vi muitos filmes, porque era muito importante, pra mim, entender de onde vinha essa necessidade que ela sente em lutar por um mundo melhor. Contratei uma preparadora corporal, fiz treinamentos com armas. Estou me divertindo bastante...

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