Guiné fará eleição com ou sem oposição, diz ministro

A Guiné vai realizar eleições parlamentares neste ano, concluindo finalmente sua transição para um regime civil, com ou sem a participação do principal partido de oposição do país, disse um ministro nesta sexta-feira.

BY BATE FELIX AND SALIOU SAMB, Reuters

29 de março de 2013 | 20h19

O país, rico em minérios, originalmente deveria ter promovido o pleito em 2011, mas o processo foi adiado por causa de discordâncias sobre a composição da comissão eleitoral e por acusações da oposição de que o governo estava preparando uma fraude.

Oito pessoas morreram e centenas ficaram feridas neste mês em duas semanas de confronto entre forças de segurança e manifestantes da oposição que exigiam reformas antes da eleição, atualmente marcada para 12 de abril.

O ministro da Administração Territorial, Alhassane Conde, disse à Reuters que as objeções não impedirão a eleição.

"Sim, as eleições vão acontecer neste ano, muito em breve, com ou sem a oposição", disse Conde em entrevista no seu gabinete, em Conacri. "Não queremos fazer sem eles, mas, se necessário, iremos adiante e realizarem a eleição sem eles".

O pleito deve ser o último passo na transição para o regime civil depois do golpe do final de 2008, que deu início a dois sangrentos anos de regime militar.

Conde acusou alguns oposicionistas de tentarem impor condições inaceitáveis para tentar adiar as eleições, por medo de perderem.

O ministro disse que seu país corre o risco de perder futuras doações internacionais se não realizar a eleição até setembro. Depois da marcação da data, a União Europeia debloqueou uma assistência de 174 milhões de euros (223,4 milhões de dólares).

A Guiné é o maior fornecedor mundial de bauxita, e tem grandes depósitos de minério de ferro, ouro e diamantes, mas suas crises políticas preocupam os investidores.

Por trás da disputa política na Guiné há uma arraigada rivalidade entre as etnias malinke e peul.

A mineradora Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, congelou um grande projeto no país africano, Simandou, alegando, entre outras razões, incertezas políticas. Paralelamente, a companhia colocou em prática um plano para desacelerar investimentos, em meio a perspectivas pessimistas para o preço do minério de ferro, sua principal fonte de receita.

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