Guineense é levado para Fiocruz em operação de segurança

Medidas inéditas de segurança e proteção contra a possibilidade de disseminação de uma doença fatal em 90% dos casos foram tomadas ao amanhecer desta sexta-feira na Base Aérea do Galeão, na Ilha do Governador (zona norte carioca). Uma das pistas da unidade da Aeronáutica recebeu o jato que trouxe de Cascavel (PR) o guineense Souleymane Bah, de 47 anos. A aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) pousou no Rio pouco antes das 6h30. O paciente estava desperto e, como os tripulantes, trajado com as vestimentas impermeáveis previstas no protocolo de segurança do Ministério da Saúde (macacão, avental, máscara, luvas, botas, gorro, protetor facial).

CLARISSA THOMÉ, SERGIO TORRES E THAISE CONSTANCIO, Estadão Conteúdo

10 de outubro de 2014 | 16h13

Do lado de fora do jato, três profissionais de saúde, também protegidos pelos equipamentos especiais, aguardaram por 40 minutos que o paciente fosse retirado em uma maca até a ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), administrado pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio. A ambulância seguiu para a sede da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos (zona norte), em meio ao trânsito caótico da região pela manhã. O trajeto de cerca de 10 km levou 20 minutos. O veículo ingressou no campus da Fiocruz, em direção ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), pela entrada principal da Avenida Brasil.

Fotografias e imagens captadas possivelmente por trabalhadores da Fiocruz - exibidas na internet e por emissoras de TV - mostram o paciente sendo retirado da ambulância, ainda na maca, e levado para a unidade especializada no tratamento de vítimas de moléstias infecciosas, como aids, mal de Chagas, dengue e malária. Em uma das fotos, Bah aparece quase sentado, ao que parece numa tentativa de ajeitar o corpo.

O guineense foi internado em uma área isolada no pavilhão do INI, sem contato com outros pacientes e funcionários que não estejam envolvidos no seu tratamento. Bah está sendo atendido por um médico infectologista que fala francês com fluência, a fim de facilitar a comunicação.

Nas últimas semanas, os infectologistas da Fiocruz passaram por treinamento sobre como agir no atendimento a pessoas contaminadas pelo vírus. Também participaram de palestras com profissionais que estiveram nas áreas epidêmicas (África Ocidental). Em 29 de agosto, no Aeroporto Internacional Tom Jobim (vizinho à Base Aérea do Galeão), houve a simulação do socorro a um passageiro que teria desembarcado no Rio com sintomas da contaminação pelo Ebola. No treinamento, o paciente foi isolado no aeroporto, levado até a Fiocruz e hospitalizado no INI.

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