Gurgel diz ser alvo de quem teme julgamento do Mensalão

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, atribuiu nesta quarta-feira a pessoas que temem o julgamento do processo do Mensalão no Supremo Tribunal Federal as críticas que vem sofrendo por supostamente ter demorado em acionar o STF para investigar o empresário Carlinhos Cachoeira e suas relações com políticos.

REUTERS

09 Maio 2012 | 21h52

Alguns integrantes da CPI que investiga os laços de Cachoeira com agentes públicos e privados querem convocar o procurador a depor na comissão. Isso porque Gurgel recebeu as primeiras informações da Operação Vegas, da Polícia Federal, em 2009, mas somente neste ano acionou o Supremo.

"Eu já disse e repito. Uma das possibilidades é de que isso parta de pessoas que estão muito preocupadas com o julgamento do mensalão, que deverá acontecer proximamente", disse ele a jornalistas.

Como procurador-geral, Gurgel é responsável pela acusação dos 38 réus do processo Mensalão, escândalo deflagrado em 2005, durante governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que parlamentares receberiam dinheiro em troca de apoio político.

"Esse tipo de provocação, além de inaceitável e intolerável, é absolutamente inútil. Faz parte do ofício do Ministério Público enfrentar este tipo de coisa", disse.

Na semana passada, Gurgel recusou convite para depor na CPI, alegando que ainda não concluiu suas investigações e, portanto, não poderia depor como testemunha à comissão.

A recusa, no entanto, não afasta a possibilidade de o procurador ser convocado a comparecer à CPI.

Nesta quarta-feira, o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), disse que o plenário da CPI está dividido sobre o tema e que caberá a cada um dos parlamentares decidir se vota ou não favoravelmente a eventual requerimento pedindo a convocação de Gurgel.

Parlamentares da oposição, como o líder do PSDB no Senado Álvaro Dias (PR), tem se manifestado contra a convocação. A votação de requerimento de depoentes está marcada para a quinta-feira da semana que vem.

Também na semana passada, a Procuradoria Geral da República divulgou nota em que afirma que os documentos recebidos após a Operação Vegas, em 2009, foram considerados insuficientes para levar o procurador a acionar o Supremo, o que foi feito em março deste ano, quando os dados da Operação Monte Carlo chegaram à Procuradoria.

Cachoeira, que está preso desde fevereiro acusado de comandar uma rede de jogos ilegais, se beneficiaria de relações com parlamentares, como o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Segundo denúncias publicadas na imprensa e baseadas em interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal, Demóstenes teria pedido ao empresário que pagasse despesas de táxi aéreo e teria repassado a ele informações de reuniões reservadas que manteve com autoridades.

Demóstenes, que deixou o DEM após o partido abrir processo de expulsão contra ele por conta das denúncias, sofre processo no Conselho de Ética do Senado, que pode resultar na cassação de seu mandato.

(Por Eduardo Simões, em São Paulo)

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