Estevam Avellar/Divulgação
Estevam Avellar/Divulgação

‘Há cada vez mais atores orientais’

Ator, que sempre se equilibrou em outras profissões, comemora papel de destaque

16 de abril de 2011 | 16h00

Apesar do nome que denuncia a ascendência chinesa, o ator Chao Chen tem enganado muito bem como japonês, no papel de Akira, o assistente tímido e solícito do laboratório de Ícaro (Mateus Solano) na novela Morde & Assopra. "Incrível, mas ninguém percebe a diferença", diz ele, fazendo piada com a ideia que se costuma ter de que oriental é tudo igual.

Meio chinês, meio carioca, Chao vinha se equilibrando em profissões das mais variadas em paralelo à inconstante carreira de ator. Foi de comissário de bordo a técnico em plataformas de petróleo. "Sempre mantive um pezinho no palco, e fui levando bem."

O Akira é tímido, reservado. Não seria um estereótipo do oriental?

Talvez seja um pouco, mas os orientais são mais contidos mesmo. O personagem tem um tom de comédia, então é por isso que talvez a timidez dele pareça um pouco exagerada às vezes. Ele é um engenheiro, trabalha com robôs. Ao mesmo tempo, é tão tímido que não se dá bem com as mulheres. Por isso, a mãe, muito possessiva, acha que precisa arranjar uma mulher pra ele.

Acha que um amor como o dele e da Keiko (Luana Tanaka) pode dar certo?

Ele se apaixonou por ela logo de cara, mas como o interesse dela era só conseguir a passagem para voltar ao Brasil, ela não viu a mínima graça nele. Não sei se ela ainda vai gostar dele... Será?

O estilo de interpretação oriental é bastante contido, minimalista. Você se sente influenciado por isso?

Eu tenho uma essência introspectiva. Só que nasci no Brasil, então sou mais caloroso. Acho que sou metade-metade. É aquela coisa: para o brasileiro, sou japonês. E para o japonês, sou brasileiro demais (risos).

Por ser oriental, é mais difícil conseguir um papel?

Não sei se a globalização tem algo a ver com isso, mas tem melhorado. É bom, porque há cada vez mais atores orientais. Acho que quanto mais trabalho tiver, mais atores vão se formar.

O biotipo, então, limita?

Acontece, claro. O perfil é muito importante, e o oriental acaba caindo no estereótipo. Não dá para passar por cima disso, simplesmente. A Dani Suzuki conseguiu quebrar isso quando fez uma médica (em Viver a Vida) que não precisaria ser feita por uma oriental. Foi o máximo. Agora, as caras novas estão aparecendo - eu mesmo sou uma cara nova.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.