Há mais ex-fumantes que fumantes

Pesquisa do IBGE mostra ainda que 65% dos brasileiros nunca fumaram; 52% afirmam que querem parar

Fabiana Cimieri, RIO, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

O número de ex-fumantes já é maior do que o de fumantes no País. Entre a população brasileira adulta, 17,2% fumam - o que equivale a 24,6 milhões de pessoas. Por outro lado, 26 milhões pararam de fumar, a maioria há mais de dez anos. É o que mostra a primeira Pesquisa Especial Sobre Tabagismo (Petab), divulgada ontem pelo IBGE e que traça um perfil completo do consumo de tabaco no Brasil.

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Os números, aparentemente favoráveis aos esforços antitabagistas, vêm acompanhados de outros que mostram a dificuldade de deixar o vício. Mais de metade dos fumantes (52%) afirma que quer parar. Mas, questionados em que momento, só 7% responderam que o fariam no próximo mês. Pouco mais de 81% quer parar "um dia" ou não está interessado em fazê-lo. "Um dos desafios é ampliar a oferta de tratamento. Mais da metade deseja parar e não encontra aspecto terapêutico", diz o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que participou da divulgação do estudo.

A pesquisa é o levantamento mais completo já realizado sobre o número, perfil e hábitos dos fumantes no País. O IBGE, em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), entrevistou 51 mil pessoas de 851 municípios durante a Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad). O estudo foi financiado, em parte, por organismos internacionais e está sendo aplicado em outros 13 países.

No Brasil, 88% dos fumantes fumam diariamente e 12% são usuários ocasionais. Seis em cada dez acendem o primeiro cigarro até meia hora após acordar - sinal de alta dependência. Mais de um terço dos entrevistados consome de 15 a 24 cigarros por dia. Por outro lado, 64,7% da população nunca fumou.

Os fumantes são predominantemente homens - 14,8 milhões ante 9,8 milhões de mulheres (21,6% da população masculina e 13,1% da feminina, respectivamente). Entre eles, 78% têm entre 25 e 64 anos. E 32% das pessoas entre 20 e 34 anos começou a fumar entre os 17 e 19 anos.

É o caso do analista de sistemas Fábio Vieira, de 26 anos, que mora no Rio. Ele tinha 19 anos quando começou a fumar com os amigos quando saía à noite e bebia. Vieira planeja parar de fumar um dia, mas não sabe quando. "Talvez quando minha mulher ficar grávida."

Proporcionalmente, fuma-se mais na área rural (20,4%) do que na urbana (16,6%), embora em números absolutos mais de dois terços dos fumantes morem em cidades (20,1 milhões).

A pesquisa estabeleceu relação entre baixos rendimento e escolaridade com o hábito de fumar. Ou seja: quanto maior a escolaridade e a renda, menor a proporção de fumantes. O gasto médio mensal com cigarros é de R$ 78. "A despesa média com aquisição de frutas é menor do que com cigarros", comparou o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes.

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