''Há momentos em que o crime compensa'', diz presidente do TJ

Bellocchi afirma que ''está doído, muito triste'' com a sucessão de escândalos de corrupção

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

26 Dezembro 2009 | 00h00

"Há momentos em que o crime compensa", diz o homem de tantas comendas e distinções, a ele conferidas por sua história - mais de quatro décadas dedicadas à magistratura.

Roberto Antonio Vallim Bellocchi, de 68 anos, está dando adeus à presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo, a maior corte do País, com seus 355 desembargadores, 2.010 juízes e 45 mil servidores às voltas com 19 milhões de ações na primeira instância.

Nesses dois anos de gestão, 2008-2009, Bellocchi conta que travou intensa batalha em busca de recursos para suprir as necessidades do poder que dirige, e, para não deixá-lo cair na indigência e no tédio, enfrentou muitos desafios e empenhou-se na aprovação pela Assembleia Legislativa dos projetos que reputa vitais para a instituição. Criou fóruns e instalou comarcas por todo o Estado.

Mas ele reconhece que todo esse esforço é pouco diante do "grande déficit" com que se debate o tribunal. O presidente do TJ cobra "mudança urgente, brutal", na Lei de Responsabilidade Fiscal. "Antes da Lei Fiscal, o tribunal ficava com 7,6% da receita do Estado. Agora caiu para 4%. Tem de mudar a Lei Fiscal", argumenta o desembargador.

ARTESANAL

Bellocchi considera legítimo deputado pedir melhorias do atendimento judicial para suas regiões. Também admite que o Judiciário brasileiro é um "modelo superado, artesanal", mas exige respeito à toga. Defende 60 dias de férias para sua classe, porque acha "justo", e diz que "está doído, muito triste" com a sucessão de escândalos de corrupção.

"O Brasil é uma jazida a céu aberto", compara o presidente do TJ. "Pero Vaz de Caminha já dizia, aqui plantando tudo dá. Só que plantar crime também tudo dá. Não precisava chegar a esse ponto."

O veterano desembargador recebeu a reportagem do Estado em seu gabinete - uma sala espaçosa no quinto andar do centenário Palácio da Justiça, na Praça da Sé. À mesa lhe faziam companhia seis magistrados, que o auxiliaram no dia a dia e expuseram realizações e também os entraves que marcaram sua gestão.

"Tomei decisões que não agradaram, mas fui respeitado. Jamais saí daqui com a consciência preocupada", afirma Bellocchi. Veja abaixo a íntegra da entrevista.

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