'Há uma simbiose entre saúde e ambiente'

Fundação Oswaldo Cruz encaminha ao governo relatório em que aponta a relação entre os assuntos

Entrevista com

Clarissa Thomé - O Estado de S.Paulo

29 Maio 2012 | 03h03

RIO - Na última rodada de negociação para o documento final da Rio+20, que começa hoje em Nova York, a expectativa de pesquisadores brasileiros é de que o tema saúde e clima sejam incluídos nos debates.

Diante da falta de menção ao assunto no Rascunho Zero, preparatório para o documento "O futuro que queremos", a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) encaminhou ao governo federal relatório em que aponta a relação entre degradação ambiental e risco à saúde, para ajudar a embasar as discussões.

Ao Estado, o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, fala do desapontamento pela omissão do documento oficial. "Há uma relação simbiótica entre saúde e ambiente. E a face mais visível é a deterioração da qualidade de vida e da saúde." A Fiocruz preparou documento pleiteando que o tema saúde entre nos debates da Rio+20.

Em que se baseia o documento que vocês preparam?

Causou muita surpresa a total ausência do tema saúde no Rascunho Zero, referência para o debate do posicionamento dos países na Rio+20. Evidentemente esse é um tema central quando se pensam as questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável, às consequências da degradação ambiental, às formas de produção que levam à redução da biodiversidade.

Que efeitos a degradação ambiental têm para a saúde?

A consequência imediata da redução da biodiversidade é a exposição maior do ser humano ao surgimento de doenças emergentes, como hantavirose. O aquecimento global leva a agravos diretos, como é o caso das doenças pulmonares associadas à poluição. Áreas de clima temperado, onde antes não circulavam vetores da malária, dengue, passam a ter condições climáticas para a expansão desses mosquitos. Há uma relação simbiótica entre saúde e ambiente. E a face mais visível é a deterioração da qualidade de vida e da saúde. A escassez de água aumenta contaminações, casos de cólera, esquistossomose. A ocupação desordenada faz com que as pessoas se tornem mais vulneráveis às doenças. É central pensar a saúde e o desenvolvimento sustentável.

O senhor acredita no poder de mobilização da Cúpula dos Povos para influenciar que a questão da saúde entre no documento final da Rio+20?

Uma mobilização mais ampla da sociedade sempre tem efeitos significativos. Nossa aposta é atuar nos canais institucionais e apostar na mobilização da Cúpula: ela é que vai dar a liga sobre a tomada de consciência e pressão sobre os governos.

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