Hackatão reúne programadores e jornalistas em encontro inédito no PaísPRIMEIRÃO

Dados podem falar mais do que palavras. Todos os tipos de dados públicos - índices de criminalidade, educação, saúde, salários - são a base do trabalho do jornalismo. Só que nem sempre esses dados são compreensíveis - e, muitas vezes, um aplicativo ou infográfico pode revelar mais ao leitor do que os números brutos. E, no século digital, hackers podem se tornar grandes aliados na investigação jornalística.

O Estado de S.Paulo

11 Junho 2012 | 03h08

A partir disso o Grupo Estado promoverá o primeiro hackathon organizado por um veículo de comunicação no Brasil, em parceria com a Casa de Cultura Digital. O Hackatão acontece a partir da sexta-feira, 22, e reunirá repórteres, editores, designers, diagramadores, ilustradores, programadores e estudantes de jornalismo por 24 horas, para analisar bases de dados públicos e criar soluções e aplicações digitais e práticas para estes dados. O termo "hackathon" é uma contração de "hacker" e "marathon" (maratona, em inglês) e designa literalmente isso: uma maratona de programação.

Durante o encontro, times formados no próprio dia escolherão temas de utilidade pública e passarão 24 horas programando para entender melhor e tentar encontrar soluções para os problemas do País. As atividades começam a partir da meia-noite do sábado e vão até a meia-noite do domingo seguinte, 23, e acontecem na sede do jornal O Estado de S. Paulo, no bairro do Limão, em São Paulo.

A ideia é reunir gente interessada em pesquisar e programar para uma maratona de desenvolvimento. Esse modelo é adotado em várias empresas, como Google e Facebook, e também em instituições como a Câmara Municipal de São Paulo e o RhOK, evento capitaneado pela ONU e Banco Mundial para criar soluções para prevenir desastres. No mundo da mídia, o jornal inglês The Guardian, por exemplo, já realizou um evento do tipo. No Brasil a iniciativa é inédita.

"O mais interessante deste encontro é que ele aconteceu de forma espontânea", explica Claudia Belfort, editora-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado. "Era algo que o pessoal do Link já estava cogitando fazer, que a equipe do caderno Estadão.edu vinha namorando e que se tornou um caminho natural para o Estadão Dados, projeto que lançamos há pouco mais de um mês justamente para trabalhar estes bancos de dados que estão disponíveis publicamente. Quando estas três áreas diferentes convergiram naturalmente para o tema, percebemos que era uma oportunidade que não poderíamos deixar passar."

"A vantagem de fazer um hackathon num jornal é conseguir juntar pessoas que lidam com informação no seu trabalho diariamente - nesse caso, para fazer reportagens e escrever histórias - com hackers, que conhecem formas muito espertas para lidar com dados. O combinado desses dois grupos pode ajudar a criar e pensar formas inéditas de gerar valor público para a informação", diz Daniela Silva, da comunidade Transparência Hacker, que participará do evento.

Em maio passado, entrou em vigor no País a Lei de Acesso à Informação, que dá o direito de qualquer cidadão solicitar informações de todas as esferas do governo. Mas como essa abertura pode contribuir para uma maior transparência e fortalecimento da democracia? Um hackathon é a maneira da sociedade civil adotar uma postura mais ativa na política, contribuindo com soluções e novos entendimentos sobre o que acontece no País.

O Basômetro, primeiro projeto do Estadão Dados, é fruto da colaboração entre jornalistas e programadores. O aplicativo mede a influência da base do governo nas votações dos parlamentares - e dá novos entendimentos sobre a dinâmica política. Outros projetos do tipo podem surgir - e a maratona é o melhor lugar para concretizar essas ideias. O que você quer saber sobre o governo? Como um aplicativo pode ajudar a sociedade? Como você pode colaborar com a pesquisa e desenvolvimento de soluções políticas? Participe! As inscrições estão abertas (através do link http://migre.me/9ptd1) e o resultado será divulgado na semana que vem.

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