Haddad admite realizar duas edições da prova

Ministro diz que nova prova para estudantes prejudicados não vai coincidir com vestibulares

Angela Lacerda / RECIFE, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2010 | 00h00

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou ontem na capital pernambucana que o MEC vai manter para o próximo ano a intenção de realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em duas edições. "Vamos deixar o projeto pronto, mas ele terá de passar pelo crivo do próximo governo."

O ministro lembrou que o Enem só não ocorreu em duas edições neste ano por causa da ocorrência de fraude no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), realizado pelo Cespe, que integra o consórcio responsável pela aplicação do Enem.

O governo esperou a conclusão do inquérito da Polícia Federal para, após a confirmação de que o instituto nada tinha a ver com o problema, retomar os entendimentos com o consórcio.

Haddad também observou que o exame similar ao Enem aplicado nos Estados Unidos (SAT) começou realizando uma prova por ano e hoje realiza sete exames anuais. "O presidente Lula está correto ao defender várias edições do Enem no ano", disse.

Segundo ele, ao acatar o recurso da Advocacia-Geral da União (AGU), pedindo a derrubada da suspensão do Enem, o Judiciário "consolida um processo de assimilação de tecnologia educacional" que entende "ser possível aplicar provas distintas em dias distintos sem ferir o princípio da igualdade". Para o ministro, a agilidade do Judiciário garante que o cronograma do Enem seja mantido, com o resultado final sendo divulgado em 15 de janeiro.

Ainda sem data definida para a reaplicação da prova aos estudantes que foram prejudicados por erros no caderno amarelo, Haddad garantiu que não haverá coincidência com a realização de outros vestibulares. O desafio será identificar os estudantes que vão fazer a nova prova, o que será feito pelo consórcio.

"Vamos ter de fazer leitura eletrônica de todas as atas de 113 mil locais, um trabalho difícil, minucioso, que já se iniciou", acrescentou. Somente depois desse levantamento se terá o número exato de estudantes nessa situação. Até ontem, de acordo com o ministro, o MEC havia recebido 165 reclamações por meio de e-mail e 0800. A expectativa é que número total fique em torno dos 2 mil.

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