Haddad diz que quadrilha atuou por anos na Prefeitura

Quatro servidores públicos municipais de SP foram presos nesta quarta acusados de cobrar propina para liberar empreendimentos mobiliários da capital

GUSTAVO PORTO, Agência Estado

30 Outubro 2013 | 13h41

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quarta-feira, 30, que a operação que desmantelou um esquema de desvio do Imposto Sobre Serviços (ISS) recolhido de construtoras e que contava com a participação de funcionários públicos "desbaratou uma quadrilha que atuou por anos na Prefeitura". Haddad avaliou que o "prejuízo é de centenas de milhões de reais", mas que ainda não é possível quantificar o quanto foi desviado.

O grupo é acusado de receber o dinheiro de construtoras para providenciar a guia de quitação do ISS. O documento é fundamental para que as empresas consigam o habite-se dos empreendimentos, sem o qual as obras não podem ser entregues. Foram presos o ex-subsecretário municipal de Finanças Rolilson Bezerra Rodrigues, o ex-diretor de arrecadação Eduardo Horle Barcelos e os auditores Carlos Augusto Di Lallo Leite do Amaral e Luis Alexandre Cardoso Magalhães. Todos são funcionários públicos municipais e ocuparam cargos de confiança na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD).

"A operação cruzou dados pela Controladoria, o Ministério Público (MP) foi acionado, recorreu ao Judiciário, que ofereceu apoio com quebra de sigilos", disse o prefeito de São Paulo. "O dia é importante porque demonstra o acerto da Controladoria-Geral do Município", completou, numa referência ao órgão criado na gestão dele.

De acordo com Haddad, a operação e a criação da Controladoria mostram que é possível separar porcentual mínimo de funcionários públicos corruptos dos que se dedicam ao interesse público. "Não houve problemas só na Secretaria das Finanças, foi um dos maiores escândalos da cidade de São Paulo", avaliou.

Segundo o prefeito, não se trata de devassa "em qualquer administração", uma vez que o escândalo teve início no governo de Kassab. "Esse órgão (Controladoria) mostra atitude proativa contra corrupção e mostra que a criação de controladoria e parceria com o Ministério Público é mudança de atitude", disse. "Ação tem repercussão do ponto de vista ético e financeiro na Prefeitura e a Controladoria tem carta-branca total para chegar às últimas consequências." Haddad citou que o patrimônio não declarado dos envolvidos beira R$ 100 milhões e lembrou que a ação desta quarta-feira só foi possível com a conexão da evolução patrimonial com a investigação de corrupção.

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