DOUGLAS MAGNO / AFP
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Haddad diz que, se for eleito, tem de avançar em frentes que o PT não avançou

Em entrevista, candidato do PT também elogiou economistas de linha liberal, mas teceu críticas ao mercado financeiro brasileiro

Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2018 | 22h37

O candidato do PT à Presidência nas eleições 2018, Fernando Haddad, afirmou em entrevista exibida pela TVE Bahia na noite desta terça-feira, 16, que seu partido cometeu erros quando governou o País e que, se for eleito, é necessário avançar em frentes que o "PT não avançou".

"Houve erros, mas o balanço nos governos (petistas) foi positivo. Mas nós temos de avançar em frentes que não avançamos", afirmou, referindo-se ao controle contra a corrupção em estatais.

Haddad emendou ainda a defender a necessidade de controle de estatais e relacionou isso à cobrança que fazem dele de se fazer autocrítica às gestões petistas.

"Eu respondo como candidato. Sou candidato de uma frente mais ampla para reconstruir as instituições, a economia. Em todas as oportunidades eu registro aquilo que eu sinto que vai ao encontro da população. Eu defendo que o controle feito nos ministérios tem de chegar às estatais", afirmou.

O petista voltou a dizer ainda que a Lava Jato "é muito importante para o Brasil". "Tudo tem de ser passado a limpo. Primeiro, temos de evitar que se pare a Lava Jato. Segundo, temos de evitar partidarizar a Lava Jato", afirmou.

Para Haddad, apesar da demonização da política, é preciso deixar claro que "tem joio e tem trigo em todos os partidos, não é só joio". 

Candidato elogia economistas liberais, mas critica preferência do mercado por Bolsonaro

Na mesma entrevista, o candidato do PT elogiou economistas de linha liberal, mas teceu críticas ao mercado financeiro brasileiro.

Relembrando que deu aulas no Insper em São Paulo, escola de tradição de ensino liberal na economia, Haddad disse que "gosta do liberalismo".

"O problema meu não é o economista ser liberal ou não. Eu acho que o economista tem de ter visão social", afirmou, pontuando alguns nomes.

"O Marcos Lisboa (presidente do Insper) especificamente é um liberal avançado, progressista, o que o torna uma pessoa muito diferenciada. Ele sabe o valor do investimento em educação, do Bolsa Família. Tem muita gente boa, lá mesmo no Insper. O Zé Heleno Faro, o Tiago Cavalcanti, o Ricardo Paes de Barros, que inclusive assessorou a candidata Marina Silva", afirmou.

Apesar dos elogios aos liberais, Haddad voltou a criticar o economista Paulo Guedes, que assessora o oponente dele, Jair Bolsonaro (PSL). Para o petista, a presença de Guedes na campanha do deputado federal atraiu o apoio do mercado financeiro.

Ele disse ainda que há pessoas no Brasil que apoiam o liberalismo mas que são a favor de oligopólios.

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