Haddad não garante mais reurbanizar Favela do Moinho

Em reunião nesta sexta-feira com moradores da Favela do Moinho, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), não assegurou mais que o terreno localizado às margens da linha férrea da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) no Bom Retiro, na região central da capital paulista, onde ainda moram cerca de 400 famílias, será reurbanizado.

DIEGO ZANCHETTA, Agência Estado

12 de julho de 2013 | 16h30

Em 2012, porém, durante a campanha eleitoral, Haddad afirmou que iria "trabalhar muito para regularizar a situação do terreno". Equipes que trabalhavam na produção da publicidade eleitoral gratuita na televisão gravaram cenas do drama das famílias desalojadas pelo incêndio em parte dos barracos em outubro, quando um morador morreu. Desde o dia 4, moradores da ocupação cobram o cumprimento da promessa dele. Eles pedem asfalto, luz elétrica e água encanada. Haddad disse que pediria para a AES Eletropaulo e Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) analisarem a viabilidade da demanda.

Mas o prefeito de São Paulo não disse se será possível ou não reurbanizar a área, que pertence ao governo federal, como ele havia dito na campanha. De imediato, Haddad pediu que a Subprefeitura da Sé solicite aos bombeiros a possibilidade de serem montadas rotas de fuga no local, em caso de novas ocorrências de fogo.

Em maio, a Secretaria Municipal de Habitação anunciou aos moradores que uma das possibilidades era construir dois empreendimentos habitacionais no centro para remover as pessoas, uma vez que o governo de São Paulo pretende construir no local onde está a favela a futura Estação Bom Retiro da CPTM.

Mas os residentes rechaçam a possibilidade de sair do centro. Eles argumentam ter obtido o usucapião urbano da área, após ação civil pública em 2003 movida por estudantes de direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Haddad se reunirá com os secretários de Relações Governamentais, João Antônio, de Habitação, Floriano Marques, e de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Mello Franco, para tentar elaborar "uma proposta de diálogo permanente com os moradores".

O prefeito da capital paulista um "diagnóstico jurídico" do terreno, de acordo com a assessoria dele. Uma das líderes comunitárias que participaram da reunião desta sexta-feira, Alessandra Moja Cunha, disse que os moradores discutirão em assembleia neste domingo, 14, que posição tomar após o encontro com Haddad. Mas afirmou que não houve nenhuma garantia de reurbanização para a área.

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