Haddad reúne conselho para definir comando da UnB

Ministro da Educação se encontra com representantes para solucionar impasse após saída de vice-reitor

Maecelo de Moraes, da Agência Estado,

13 de abril de 2008 | 12h46

O ministro da Educação, Fernando Haddad, se reúne na tarde deste domingo, 13, com representantes do conselho de educação da Universidade de Brasília (UnB) para definir uma solução para o comando da instituição. A universidade enfrenta desde sábado um vácuo de poder, já que o vice-reitor Edgar Mamya entregou o cargo, em decisão comunicada ao ministro Haddad. Mamya ocupava interinamente a direção da UnB depois do pedido de afastamento temporário feito pelo reitor Timothy Mullholland, na quinta-feira.   Veja também Entenda o caso do reitor da UnB Vice-reitor da UnB pede exoneração após dez dias de ocupação Após licença, estudantes da UnB querem agora saída de vice  Estudantes da UnB rejeitam termo e mantêm ocupação MEC quer parecer da Finatec sobre recursos para UnB Justiça manda estudantes desocuparem Reitoria   As denúncias contra o reitor surgiram no início de fevereiro, em meio ao escândalo da farra com os cartões corporativos, que resultou na saída da ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. A universidade apareceu como líder no ranking de instituições federais em gastos com cartões, e Mulholland teria usado recursos públicos de uma fundação, no total de R$ 470 mil, para mobiliar o apartamento funcional ocupado pelo reitor.   Por conta das denúncias, a reitoria da universidade foi ocupada no dia 3 de abril por alunos, que reivindicam a demissão de Mulholland. Os manifestantes marcaram para a segunda-feira, 14, uma assembléia para avaliar o movimento.   Para sair do local, os manifestantes exigem o cumprimento de 18 reivindicações discriminadas em documento entregue ao Conselho Superior da UnB. "Nada menos do que isso nos fará deixar a reitoria", afirmou na quinta-feira o estudante de Letras, Eduardo Zanata, coordenador de Organização do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB. "A luta é contra a política de Timothy na administração da universidade, que inclui até corrupção. Queremos uma mudança da estrutura da UnB."   Menos de uma semana após a denúncia de desvio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), Mulholland deixou o apartamento. Dos R$ 470 mil, ele admitiu ter gasto R$ 350 mil em móveis e utensílios. O reitor chegou a comprar uma lixeira no valor de quase R$ 1 mil. A denúncia do Ministério Público do Distrito Federal aponta que a Finatec gastou R$ 470 mil para equipar o apartamento de Mulholland.   Timothy Mulholland e o decano de administração da UnB, Érico Paulo Weidle, são alvo de uma ação na Justiça por improbidade administrativa. Segundo a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal, a Finatec - fundação ligada à UnB - gastou cerca de R$ 500 mil com mobília e decoração de um apartamento funcional que era ocupado por Mulholland. O dinheiro deveria ter sido usado em pesquisa científica.   (com Fabíola Salvador, da Agência Estado e Agência Brasil )

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