Haiti anuncia subsídios para alimentos e demissão de premiê

Senado aprova por unanimidade saída de Alexis; presidente diz que doações serão usadas para combater crise

Agências internacionais,

12 de abril de 2008 | 13h40

O governo do Haiti e o setor privado do empobrecido país anunciaram neste sábado, 12, um plano de emergência para reduzir o preço do arroz em cerca de 15%, numa tentativa de acabar com a desordem por alimentos. Momentos após o anúncio do presidente René Preval, o Senado votou, por unanimidade, a destituição do primeiro-ministro Jacques Edouard Alexis, após uma semana de distúrbios por causa da alta no preço dos alimentos.   Especial sobre a crise de alimentos  O professor Paulo Edgar Almeida Resende opina sobre a crise    O presidente René Preval, sob fogo cruzado por críticas de não estar fazendo o suficiente diante do crescente custo de vida após mais de uma semana de protestos violentos, disse que o corte no preço seria financiado em parte pelo setor privado e em parte por doadores internacionais.   As violentas manifestações começaram na segunda-feira, quando milhares de haitianos saíram às ruas de Porto Príncipe para protestar contra o alto preço de alimentos como arroz e feijão. Tropas de paz da ONU tiveram trabalho para conter a revolta e os saques.    Pelo menos cinco pessoas foram mortas neste mês em protestos no país mais pobre das Américas. Multidões indignadas com os preços do arroz, do feijão, do milho e de outros produtos atacaram soldados da ONU e saquearam galpões de ajuda humanitária. Muitos no Haiti dizem que a violência foi estimulada por inimigos do governo, membros ressentidos da elite ou por narcotraficantes que usam o Haiti como entreposto para os EUA. A eleição de Préval, há dois anos, trouxe uma relativa estabilidade ao Haiti, após décadas de ditaduras, regimes militares, levantes políticos e violência de gangues. A maioria dos haitianos vive na miséria, com menos de dois dólares por dia, e viram os preços de vários produtos essenciais até dobrar nos últimos dois meses. O Programa Mundial de Alimentos da ONU fez um apelo global de 500 milhões de dólares para alimentar os pobres do mundo diante da carestia global. A cotação do petróleo, o aumento do consumo na Ásia, o uso de terras para a produção de biocombustíveis, especulações no mercado e fatores climáticos provocam o aumento mundial no preço dos alimentos. Um avião da Força Aérea Brasileira decolou na sexta-feira levando 14 toneladas de alimentos para o Haiti, segundo nota divulgada pela FAB. O Brasil já doou quase 7 mil toneladas de feijão, 4.050 toneladas de açúcar e 3 milhões de latas de óleo de cozinha.    

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