DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Heleno defende Bolsonaro por não comentar morte de Ágatha e questiona versão de motorista da Kombi 

O general também pôs em dúvida a capacidade do motorista da Kombi em que a menina estava de identificar de onde veio a bala. Para Heleno, a tese do motorista “não é necessariamente verdadeira”

Tânia Monteiro e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2019 | 19h44

BRASÍLIA – O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, defendeu nesta quinta-feira, 26, o fato de o presidente Jair Bolsonaro não ter dado nenhuma declaração sobre a morte da menina Ágatha Félix, de 8 anos, atingida na semana passada, por um tiro no Complexo do Alemão, zona norte do Rio. Para ele, quem tem de se manifestar sobre o caso é o governador do Estado, Wilson Witzel.

O general também pôs em dúvida a capacidade do motorista da Kombi em que a menina estava de identificar de onde veio a bala. Para Heleno, a tese do motorista, de que o responsável pelo disparo foi um policial, “não é necessariamente verdadeira”. Ele acredita que o motorista não tem como ter certeza disso. Em seguida, justificou: “Você está dirigindo uma viatura, toma um tiro por trás e já sabe quem foi? É complicado, né? A tendência, quando você toma um tiro num veículo que você está, é se abaixar. É a primeira coisa. Tentar entrar até debaixo do banco”, afirmou o ministro. 

A Polícia Militar fluminense afirma que houve troca de tiros entre os agentes e bandidos na favela. Já parentes da criança e outras testemunhas afirmam que só a PM atirou. O crime é investigado pela Polícia Civil. Para Heleno, tudo ainda precisa ser periciado, com tempo e fundamento científico. “É difícil saber exatamente de onde saiu o tiro." 

Heleno reiterou que Bolsonaro não deveria mesmo ter comentado a morte da menina, porque ela aconteceu no Rio, e isso poderia parecer que ele estava se "intrometendo onde não foi chamado”. E emendou: “Isso é um problema do governador [do Rio, Wilson Witzel].Quem  tem de falar sobre isso é o governador. A polícia é dele, o Estado é dele, a situação está na mão dele. A apuração é feita lá. Não pode o presidente da República sair emitindo opiniões ou dando palpite nisso aí.” O ministro classificou a morte da menina como um episódio “cruel” e “lamentável”. Disse, ainda, que tudo o que acontece no Rio tem enorme repercussão.

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