Helicópteros deixam a Colômbia e indicam fracasso de resgate

Aeronaves deveriam levar reféns das Farc, mas libertação foi suspensa.

Claudia Jardim, BBC

03 de janeiro de 2008 | 21h30

Regressaram hoje à Venezuela os quatro helicópteros enviados pelo governo venezuelano à Colômbia para realizar o resgate de três reféns que seriam libertados pelo grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A retirada das aeronaves MI-17 e Bell da cidade de Villavicencio (a 95 km de Bogotá), ponto de partida para a missão de resgate, indica que a primeira tentativa de libertação de Clara Rojas, assessora de campanha da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt (também seqüestrada), de seu filho Emmanuel e da deputada Consuelo González de Perdomo pode ter sido cancelada por completo. Até esta quarta-feira, acreditava-se que o resgate poderia ser retomado a partir do anúncio dos resultados dos testes de DNA em amostras coletadas de parentes de Clara Rojas, para comprovar se um menino interno em um orfanato em Bogotá é seu filho, Emmanuel.Esta hipótese foi levantada no domingo pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. O presidente disse que Emmanuel havia sido entregue ao Instituto de Bem Estar Familiar e que as Farc teriam atrasado a libertação dos reféns porque o menino não estava em seu poder. O caso Emmanuel se complicou ainda mais nos últimos dias. José Gomez, que se identificou no orfanato como pai do menino, afirmou à Promotoria que a criança havia sido entregue a seus cuidados pela guerrilha. Gómez disse ter recebido ameaças de morte se não entregasse o menino antes do dia 30 de dezembro. A incógnita deverá ser resolvida a partir do resultado do teste de DNA, que poderia ser concluído nas próximas 24 horas, e deve determinar se o menino encontrado no orfanato é mesmo Emmanuel. AcusaçõesAs Farc afirmam que o governo está utilizando a dúvida sobre o local em que estaria o filho de Clara Rojas para desviar a atenção, mas que os coordenadores da operação de resgate continuam aguardando suas indicações sobre o local do resgate. "Apesar de o governo colombiano pretender desviar a atenção sobre a libertação (...) com a 'hipótese', tanto (o presidente da Venezuela, Hugo) Chávez quanto a Cruz Vermelha continuam esperando as coordenadas", disse o grupo por meio de uma declaração publicada nesta quinta-feira pela Agência Bolivariana de Imprensa (ABP). No domingo, ao anunciar que não poderiam entregar os reféns ao presidente Chávez, as Farc acusaram o governo colombiano de aumentar as operações militares do Exército para impedir a movimentação do grupo guerrilheiro na selva colombiana. No domingo, Chávez também responsabilizou Uribe, acusando-o de haver "dinamitado" o resgate, e anunciou que poderia usar "métodos clandestinos" para recuperar os três reféns. Ofensiva geralO principal comandante das Farc, Manuel Marulanda, anunciou em um comunicado uma "ofensiva geral" contra o governo. Marulanda, no comando das Farc desde 1964, disse que as condições "inalteráveis" determinadas pelo presidente Uribe para negociar um acordo humanitário com a guerrilha são "pretextos na cabeça de alguns generais para impedir o intercâmbio e manter a guerra contra o descontentamento do povo (...)".As "condições inalteráveis" a que o líder guerrilheiro se refere são a recusa de Uribe em criar uma zona desmilitarizada para a troca de reféns por prisioneiros, que é a principal condição imposta pelas Farc para levar adiante um acordo.Os três reféns que seriam libertados pela guerrilha são parte de um grupo de 45 seqüestrados que seriam trocados por 500 guerrilheiros presos. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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