Helicópteros sírios atacam subúrbio de Damasco; diplomacia falha

Helicópteros de ataque da Síria bombardearam um subúrbio de Damasco nesta segunda-feira e a Turquia afirmou que havia interceptado aviões de guerra perto da fronteira no norte do país, à medida que o conflito de 16 meses entrava numa fase mais violenta e a diplomacia parecia ter falhado.

MARIAM KAROUNY, Reuters

02 de julho de 2012 | 13h34

O combate chegou às portas da capital nas últimas semanas e também está se tornando violento em todo o país conforme a batalha para derrubar o presidente Bashar al-Assad cada vez mais assume o caráter de uma guerra civil total, alimentada pelo ódio sectário.

Forças do governo da Síria lançaram um ataque em Douma, uma cidade no subúrbio de Damasco, onde invadiram um reduto rebelde há dois dias deixando corpos apodrecendo nas ruas da cidade quase abandonada.

"O bombardeio de Douma continuou hoje com helicópteros. Alguns ativistas entraram na cidade hoje e viram pelo menos sete corpos em decomposição nas ruas sob o sol. Um homem foi executado dentro de sua casa", disse Mohamed Doumany, um ativista que fugiu da cidade há dois dias e agora estava nas proximidades.

"Há uma enorme destruição na cidade, que está quase vazia. Apenas alguns moradores permanecem ali", contou ele à Reuters por Skype.

Diplomatas dos Estados ocidentais e árabes que se opõem à Assad encontraram com diplomatas da Rússia e da China, países aliados do líder sírio, no sábado, em Genebra, sob o patrocínio do enviado de paz da ONU, Kofi Annan. Mas eles não fizeram nenhum progresso em convencer Moscou e Pequim a assinar uma declaração pedindo a Assad para deixar o poder, deixando em frangalhos o esforço para forjar um consenso internacional.

O fracasso da diplomacia em ter qualquer impacto mensurável sobre um conflito que a ONU afirma que já matou mais de 13.000 pessoas está testando a paciência dos países da região, especialmente da Turquia, que reagiu com fúria 10 dias atrás, quando a Síria abateu um dos seus aviões de guerra.

AVIÕES INTERCEPTADOS

A Turquia informou nesta segunda-feira que havia interceptado seis caças F-16 em resposta a três incidentes separados de helicópteros sírios que se aproximaram da fronteira. A Turquia também interceptou caças no sábado e moveu armas e soldados para a fronteira.

O Ministro das Relações Estrangeiras turco, Ahmet Davutoglu, disse aos oposicionistas sírios reunidos no Cairo que a luta deles para derrubar Assad terminaria em vitória.

"As armas do regime Assad, tanques, não têm nenhum significado em face da vontade do povo sírio. Mais cedo ou mais tarde a vontade do povo sírio reinará suprema. E vocês vão liderar este processo", afirmou ele.

O primeiro-ministro Tayyip Erdogan, um antigo aliado de Assad, que se voltou decisivamente contra ele, diz que as regras de envolvimento militar turcas foram alteradas e quaisquer forças sírias que se aproximarem da fronteira e forem consideradas ameaçadoras serão alvejadas.

O governo sírio controla firmemente o acesso, tornando difícil a verificação dos combates em solo.

Ativistas anti-Assad disseram que havia conflitos pesados na província Deir Ezzor perto da fronteira iraquiana, onde aldeias estavam sob fogo militar. Os rebeldes destruíram dois tanques, disseram.

Nas áreas rurais perto de Aleppo, ao sul da fronteira turca, houve confrontos seguidos de explosões dentro da cidade durante a noite. Áreas florestais perto da fronteira estavam em chamas, disseram ativistas.

A artilharia síria atingiu a aldeia de Talbiseh, perto de Homs, nesta segunda-feira, tendo como alvo uma área perto da mesquita. Um vídeo divulgado no YouTube mostrou uma explosão atingindo a torre da mesquita, engolindo-a em uma nuvem de fumaça cinza e poeira.

As forças de segurança também estavam bombardeando cidades na província de Deraa, perto da fronteira com a Jordânia, disseram ativistas.

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