Hillary e Obama travam guerra em anúncios e comícios

Pré-candidatos democratas esquentam disputa em reta final de prévia.

Bruno Garcez, BBC

02 de março de 2008 | 17h35

Os dois pré-candidatos democratas na corrida presidencial americana, a senadora Hillary Clinton e o senador Barack Obama, levaram a sua acalorada disputa para as ondas da TV.A campanha de Hillary criou um anúncio acusado pelos correligionários de Obama de ser um incitamento ao medo.O comercial mostra o quarto de uma casa de família americana, com crianças dormindo, seguido da voz de um locutor, que diz:''São três horas da manhã e seus filhos estão dormindo tranqüilos. Mas há um telefone tocando na Casa Branca. Alguma coisa está acontecendo no mundo. O seu voto decidirá quem atenderá esse telefonema. Alguém que conhece os líderes mundiais e os militares, uma pessoa que já foi testada e que está preparada para liderar em um mundo perigoso''.Ao final do anúncio, o locutor volta a repetir a frase inicial e conclui: ''São três horas da manhã e seus filhos estão dormindo tranqüilos. Quem você quer que atenda esse telefonema?''. Em seguida, é mostrada a imagem de Hillary, de óculos, ao telefone.Resposta de ObamaOs correligionários de Hillary argumentaram que o anúncio não visava afugentar eleitores, mas sim destacar a experiência de Hillary e sua capacidade de decidir em um espaço curto de tempo. Em menos de 48 horas, a campanha de Obama criou um anúncio respondendo ao comercial da rival. O anúncio utiliza as mesmas frases iniciais do comercial de Hillary, mas acrescenta um encerramento distinto, dizendo que o presidente deveria ser aquele que, ao atender ao telefone, seria capaz de avaliar corretamente e ter a coragem de se opor à guerra do Iraque desde o começo.A propaganda termina com os dizeres: ''Em um mundo perigoso, é a capacidade de decidir que importa''.A reposta de Obama foi semelhante ao teor de seu anúncio. ''A questão não é atender ao telefone, é o tipo de decisão que você vai tomar quando atender ao telefone.''O comentário foi uma referência ao fato de que, em 2002, a senadora Hillary Clinton votou a favor da guerra do Iraque. Discurso x contradiçõesDurante um evento de campanha em Dallas, no Texas, um dos quatro Estados que terão primárias no próximo dia 4 de março, Hillary destacou que ela tem a experiência necessária para concorrer contra o provável candidato republicano John McCain.A senadora também acusou seu rival democrata de fazer uso oportunista de um discurso realizado por ele antes de sua chegada ao senado, quando ele se posicionou pela primeira vez contra a guerra do Iraque. ''Acredito que vocês são capazes de imaginar o que o senador McCain terá a dizer, que ele nunca foi o presidente, mas que ele irá se valer de sua experiência acumulada ao longo da vida.''Hillary destacou que ela também fará uso da experiência que adquiriu ao longo de sua trajetória política, mas que ''o senador Obama fará uso de um discurso que ele fez em 2002''.Durante um evento de campanha em Rhode Island, Obama procurou estabelecer contrastes entre o seu estilo de fazer política, que enfatiza a necessidade de implantar mudanças, e o dela, que seria marcado por contradições e guinadas eleitoreiras.''Mudança verdadeira não é votar a favor da guerra de George Bush no Iraque e depois dizer ao povo americano que na verdade aquele foi um voto em busca de mais diplomacia.''E acrescentou, com ironia: ''O projeto de lei se chamava 'Uma resolução para autorizar o uso das Forças Armadas dos Estados Unidos contra o Iraque'. Isso soa como se você estivesse votando pelo uso das Forças Armadas dos Estados Unidos contra o Iraque''.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.