Hillary ignora pressão e insiste na campanha

Candidatura da senadora de Nova York perde fôlego e atenção da mídia, apesar de otimismo da ex-primeira-dama

ELLEN WULFHORST, REUTERS

16 de maio de 2008 | 10h18

A bordo do avião de campanha de Hillary Clinton ainda estão alguns balões que formam a imagem da candidata. Costumavam ser quase do tamanho natural, mas ultimamente andam bem murchos.  Da mesma forma, a candidatura da senadora, que já foi tão animada, persiste, mas claramente já não tem tanto gás.   Veja também: Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA A platéia é cada vez menor, a atenção da mídia está diminuindo, e mesmo alguns simpatizantes já aderem aos apelos para que ela renuncie e ajude a unificar o Partido Democrata em torno de Barack Obama. A voz de Hillary está ficando mais rouca e menos vibrante, mas nesta semana, em campanha na Dakota do Sul, ela ainda fala como alguém que tem chances de ser a indicada do partido. "Tem muita gente dizendo que era para encerrarmos logo isso. Bom, eu nunca fui impaciente com a democracia", disse ela. "Acho na verdade que deixar as pessoas votar é realmente bom e é algo que tem servido bem ao nosso país há muitíssimos anos." A Dakota do Sul será o último Estado a realizar eleições primárias, no próximo dia 3, junto com Montana. Antes disso acontecem as disputas de Kentucky, Oregon (ambas no dia 20) e Porto Rico (1. de junho). Apesar de seu comitê acumular dívidas, Hillary pretende ficar na disputa até o final. Ela está atrás de Obama em votos obtidos, em delegados eleitos e em apoio de "superdelegados", caciques partidários cujo voto na convenção nacional de agosto é livre. Mas, enquanto antes a senadora tinha quatro ou cinco eventos de campanha por dia, agora faz apenas dois ou três. Um dos dois assessores de imprensa foi dispensado, e a comitiva de jornalistas que a seguem mal enche um ônibus - antes, eram necessários dois veículos. Quando desce do avião, Hillary sorri e acena, mas não há ninguém para esperá-la. Os balões, presente de um simpatizante no mês passado, costumavam mostrá-la sorridente e colorida - balões amarelos para os cabelos, cor-de-rosa para os lábios e pretos para o seu habitual terninho. É como se agora, murchos, eles refletissem o clima em torno de Hillary, que no entanto promete ir até o final, comparando-se a um time que não deixa o campo antes do apito final, mesmo se estiver sendo massacrado pelo adversário.

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