Hipertensão atinge 25% dos brasileiros; ministro receita sexo

Doença cresceu 13,4% em 3 anos; ao anunciar números, Temporão indicou relações sexuais cinco vezes por semana

Lígia Formenti / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 Abril 2010 | 00h00

 A hipertensão atinge um em cada quatro brasileiros. O número de casos no País cresceu 13,4% em três anos, passando de 21,5% para 24,4%. O levantamento, feito em 2009 com 54 mil adultos a pedido do Ministério da Saúde, mostra que o aumento foi registrado em todas as faixas etárias, principalmente entre os idosos: 63,2% das pessoas com mais de 65 anos apresentam o problema.

Ao anunciar ontem os números, o ministro José Gomes Temporão aconselhou a prática de sexo como forma de combater a doença. "Fazer sexo ajuda", sentenciou o ministro. "As pessoas têm de se mexer. A pelada do fim de semana não deve ser a única atividade. Os adultos devem praticar exercícios, caminhar, dançar, fazer sexo seguro."

As declarações foram dadas durante o lançamento de uma campanha de prevenção contra a doença, feita em conjunto com sociedades brasileiras de Cardiologia, de Hipertensão e de Nefrologia. A principal mensagem da iniciativa é: prevenir a pressão alta depende das opões individuais, como escolher alimentos saudáveis, manter o peso ideal, exercitar-se com regularidade e reduzir o consumo de sal. Mas Temporão acrescentou à lista a prática de sexo. Ideal, emendou, para o combate ao estresse. "Cinco vezes por semana está bom", disse o ministro.

"Não conheço estudo sobre isso, mas o ministro deve ter suas referências", disse Carlos Eduardo Negrão, da Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração, que estuda o impacto da atividade física no combate e na prevenção da hipertensão.

Incidência. A pesquisa encomendada pelo ministério mostra que a proporção de hipertensos é maior entre mulheres: 27,2%. Entre os homens, a taxa é de 21,2%. Na população jovem, os números também preocupam: 14% das pessoas com até 34 anos têm a doença.

Ainda de acordo com a pesquisa, quanto menor a escolaridade, mais frequente é o problema. Entre pessoas com 9 a 11 anos de estudo, 16,8% têm pressão alta. Já entre os com até 8 anos de escolaridade, o índice sobe para 31,5%. "Hipertensão não é doença de rico, como se imagina. Ela afeta todos. E a população mais pobre pode sofrer mais, pela dificuldade de acesso a tratamento", admitiu o ministro.

O fenômeno preocupa porque a hipertensão é um dos principais fatores de risco para a mais importante causa de morte no País, as doenças cardiovasculares. Considerada um problema crônico, seu controle depende de fatores que vão do cuidado com a alimentação, a redução do estresse e até o uso de medicamentos. Como envolve mudanças de hábito, o tratamento é difícil para boa parcela das pessoas.

O ministério também anunciou ontem a inclusão de dois novos medicamentos no programa Aqui Tem Farmácia Popular: sinvastatina (para redução de colesterol) e insulina para diabéticos.

Segundo o ministério, em dois anos, o acesso a anti-hipertensivos aumentou 78% nas farmácias credenciadas.

Em alta

50,4%

dos brasileiros de 55 a 64 anos sofrem de hipertensão

28%

da população do Rio é hipertensa - é a capital com o maior porcentual registrado no País

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