Valéria Gonçalvez/AE
Valéria Gonçalvez/AE

Hípica de SP oferece curso de capacitação para tratadores

Mercado é amplo, mas há escassez de mão de obra qualificada para atuar em torneios, centros hípicos e haras

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2009 | 03h00

A necessidade de suprir a falta de mão de obra qualificada vem incentivando o setor hípico a investir, por conta própria, na capacitação de profissionais. De acordo com representantes do setor, o mercado é amplo e há oportunidades para diversas funções, de treinadores de cavalos e professores de hipismo com especialização em uma das modalidades do esporte clássico (volteio, salto, adestramento e equitação) a "pistinhas", responsáveis por manter a pista "em ordem" em dias de torneios e durante as aulas.

Apenas no Estado de São Paulo existem pelo menos 220 centros hípicos e cerca de 500 haras. "No Brasil não há cursos de capacitação para o setor hípico. No hipismo, por exemplo, o próprio cavaleiro exerce a função de preparador do cavalo, quando o ideal é que cavaleiro e animal tenham, cada um, seu treinador", explica o diretor da Hípica Manège Alphaville, José Batista Filho.

Há um mês, a hípica, que fica em Santana do Parnaíba (SP), está oferecendo curso profissionalizante de tratador de cavalos. No domingo, oito tratadores concluíram a primeira etapa. Os certificados foram entregues durante o encerramento do 5º Grand Prix Alphaville de Hipismo. "Por causa da carência de profissionais, o tema do GP este ano foi justamente ?Capacitar para incluir?", diz Batista Filho, destacando que, para as próximas edições, o curso terá apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SP).

TRATADORES

O curso de tratador de cavalo dura três meses, com aulas cinco dias por semana, e é gratuito. A seleção dos aprendizes, segundo o diretor, baseia-se em três critérios principais: afinidade com a área rural e com animais, ter mais de 16 anos e Ensino Médio concluído.

Na primeira fase do curso são passadas aos alunos as funções básicas do tratador: lavar, selar, limpar, escovar, alimentar e tosquiar o animal. No segundo mês, eles aprendem a levar o cavalo para uma competição. O trabalho inclui fazer compressas de gelo nas patas e exercitar, alongar e massagear o animal. Já na última fase, os futuros tratadores aprendem noções básicas de enfermagem.

Terminado o curso, dois tratadores devem ser contratados pela hípica, que possui 70 cavalos e 180 alunos. "Nosso objetivo é ser um centro de formação e atuar como um multiplicador de mão de obra qualificada", diz o diretor da hípica. De acordo com Batista Filho, o piso salarial de um tratador varia de R$ 520 a R$ 690, mas, em um mês, pode chegar a R$ 2 mil, conforme a "caixinha" dada por proprietários de cavalos.

O aprendiz de tratador Jadson Oliveira, 16 anos, estuda à noite e frequenta o curso pela manhã. "Trabalhava na hípica como ajudante e perguntaram se eu teria interesse em fazer o curso. Aceitei e pretendo seguir na profissão", planeja. Já familiarizado com a atividade rural, Tiago Luiz Silveira Duarte, de 19 anos, diz que já tinha vontade de fazer um curso na área. "Sempre gostei da lida com animais e, se tiver oportunidade, quero trabalhar com isso."

Os irmãos Alan, 22 anos, e Alex de Oliveira Santos, de 17, também concluíram a primeira etapa do curso. "Quando algum tratador está de folga eu ajudo", conta Alan. "Aprendemos a observar o animal e já sabemos se está com algum problema ou se tem alguma mania", diz, animado, Alex, que era ajudante na hípica.

"O tratador é a babá do cavalo, tem de gostar e acompanhá-lo o tempo todo", ensina o professor e tratador Gilvando Sousa Gonçalves.

INFORMAÇÕES:

Manège Alphaville,

Telefone: (0--11) 4154-2346

Mais conteúdo sobre:
Agrícolahípicacavalos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.