Holanda rompe com posição da UE e abre diálogo político com Cuba

O ministro de Relações Exteriores da Holanda, Frans Timmermans, assinou nesta terça-feira um acordo com seu colega cubano para manterem consultas políticas, rompendo com a posição da União Europeia, que limita visitas de alto nível e conversações com Cuba, governada por um regime comunista.

MARC FRANK, Reuters

07 de janeiro de 2014 | 18h24

No segundo dia de visita a Cuba, Timmermans pediu que a União Europeia faça ajustes em seu relacionamento com a ilha, e afirmou: "Ao longo dos séculos, Havana tem sido um ponto de encontro entre a Europa e as Américas e eu acredito que ainda tem um papel importante nesse sentido."

Timmermans, ao se reunir para conversações com o ministro cubano de Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, elogiou os esforços de Cuba "para pôr fim ao último conflito violento na região" - uma referência ao fato de o país sediar as negociações entre o governo da Colômbia e rebeldes locais.

Rodríguez disse que acolhia bem essa oportunidade de conversar sobre questões de interesse comum e que as mudanças em andamento na ilha representam uma oportunidade para os negócios holandeses.

Como parte das reformas de abertura ao mercado, sob o governo do presidente Raúl Castro, que assumiu o poder após a doença do irmão, Fidel, em 2008, Cuba abriu recentemente uma zona econômica no estilo chinês e está preparando uma nova lei de investimentos estrangeiros.

Uma delegação de empresários acompanha Timmermans na visita, a primeira de um chanceler holandês desde a Revolução Cubana, em 1959.

A Holanda é uma firme defensora dos direitos humanos e da democracia e apoia ativamente organizações dissidentes em Cuba. O país também mantém fortes laços comerciais com a ilha, tanto que o porto de Roterdã serve como ponto de entrada para o níquel cubano e outras mercadorias destinadas a vários países.

O comércio entre os dois países totalizou 791 milhões de dólares em 2012, quase exclusivamente de exportações cubanas. Não ficou claro se Timmermans iria se reunir com dissidentes antes de partir no fim desta terça-feira.

A União Europeia adotou o que é conhecido como "posição comum" em 1996, que condiciona suas relações com Cuba ao progresso na direção de um sistema político pluralista e de respeito aos direitos humanos.

Cuba rejeita essa política com base no argumento de que interfere nos assuntos internos da nação.

"Acho que o diálogo é um caminho melhor do que voltarmos as costas um para o outro", disse Timmermans na segunda-feira.

"Acho que é hora de a Europa rever sua posição sobre Cuba e ver se podemos negociar uma nova posição em relação a Cuba", disse ele durante a abertura de um programa de treinamento de futebol em Havana, apoiado por jogadores holandeses.

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