Homenagem à Iemanjá deve respeitar natureza, diz Atalla

Num ano em que as águas provocaram, mais uma vez, um rastro de tragédia e um número elevado de vítimas, um dos cultos mais populares do País e que reverencia justamente a grande rainha das águas, Iemanjá, comemorado no dia 2 de fevereiro, poderia servir também de reflexão para os fiéis e milhares de seguidores buscarem uma maneira de homenageá-la sem agredir a natureza, com respeito ao meio ambiente. O alerta é do esotérico e babalorixá Daniel Atalla, dono da Escola Esotérica Luz da Lua (www.escolaesoterica.com.br), uma das maiores do gênero na América Latina.

ELIZABETH LOPES, Agência Estado

20 de janeiro de 2011 | 17h50

Segundo Atalla, sob a forma de uma linda mulher, a orixá é uma das mais lendárias entidades do culto afro-brasileiro e a dimensão de seu culto no Brasil é imensa. Os oceanos, mares, praias, rios, lagos e cachoeiras fazem parte de seu domínio. Ou seja, as águas, cuja força vibratória tem o poder de devolução. "O mar sempre devolve tudo o que nele for vibrado ou jogado", diz o esotérico, destacando que o hábito de lançar objetos ao mar em homenagem à Iemanjá, como flores, barcos com velas acesas, perfumes, batons, espelhos, entre outros, merece uma reflexão sobre o melhor caminho para homenageá-la.

"Durante as comemorações e homenagens à Iemanjá, os rituais são muito bonitos. Porém, nos dias consecutivos, a sujeira que toma conta das praias é, no mínimo, preocupante", adverte. E complementa: "Vivemos uma realidade na qual a natureza vem nos mostrando as consequências catastróficas da falta de zelo pelo nosso planeta." Segundo Atalla, quando ele vê a praia cheia de ''sobras'', pensa no que Iemanjá deve estar achando, pois ninguém gosta de ver a própria casa bagunçada, suja, e mesmo que com a melhor das intenções, é isso que estão fazendo com o reino dela.

Na sua avaliação, existem várias formas de rituais tão poderosos quanto os tradicionais, realizados sem agredir a natureza. "Afinal de contas, a fé também pode - e deve - levar em conta a responsabilidade ambiental", ressalta. E ensina que jogar ao mar apenas as pétalas de sete rosas brancas, borrifadas com essência de alfazema, é uma alternativa. "Nada de vidro cheio do perfume e cabos com espinhos. Certamente, Iemanjá será grata pela sua oferenda e, tanto a natureza quanto os próprios banhistas também." Segundo ele, quem pensa que os rituais para Iemanjá precisam, obrigatoriamente, ser realizados na praia, engana-se: "O sucesso depende da escolha de elementos adequados e, principalmente, de muita fé."

Nossa Senhora

Por representar a grande mãe, o culto a Iemanjá encontrou no Brasil sincretismo com as Nossas Senhoras do catolicismo, como por exemplo, Virgem Maria, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora das Candeias e Nossa Senhora da Conceição, dentre outras. E sua festa coincide com o calendário católico. Uma das mais antigas e tradicionais homenagens à mãe de todas as águas ocorre no dia 2 de fevereiro, sobretudo na Bahia, onde se comemora o dia de Nossa Senhora das Candeias. A tradição começou em 1923, quando um grupo de pescadores ofereceu presentes para agradar a mãe das águas, pois os peixes estavam escassos. Desde então, a festa tornou-se cada vez mais popular e reúne milhares de fiéis. Já em São Paulo e no Recife, a festa é realizada no dia 8 de dezembro, no dia de Nossa Senhora da Conceição.

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