Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Homens confessam que atiraram em engenheiro no Rio

Um dos possíveis autores do crime tem 16 anos; Gil Augusto Barbosa foi baleado na cabeça ao entrar por engano em favela

Marcelo Gomes, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2013 | 15h56

Dois homens, entre eles um menor de 16 anos, se apresentaram na tarde desta segunda-feira no 22º Batalhão da Polícia Militar (Maré) e disseram que foram os autores dos tiros que atingiram o engenheiro Gil Augusto Gomes Barbosa, de 53 anos, e o catador de latas Josias Tenório da Silva, na manhã de sábado, 8, na Favela Vila do João, no Complexo da Maré, às margens da Linha Amarela. Jone Barbosa, de 25 anos, e o menor foram levados para a 21ª Delegacia de Polícia (Bonsucesso), onde prestarão depoimento ainda nesta tarde. Os dois estão acompanhados de um advogado e estavam com duas pistolas: uma calibre 9 milímetros e outra calibre .40.

O delegado José Pedro Costa da Silva, da 21ª DP, disse que já sabe que havia cinco pessoas no grupo que efetuou os disparos contra o carro que o engenheiro dirigia. "Já identificamos alguns dos envolvidos, que estão sendo procurados. Vamos agora tentar apontar quem de fato atirou no veículo".

Barbosa estava indo buscar sua mulher no Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, zona norte, quando recebeu uma ligação dela avisando que já estava num táxi de volta para casa, na Barra da Tijuca, zona oeste. O engenheiro, então, decidiu pegar um retorno e entrou por engano na Vila do João. Ele acabou sendo atingido na cabeça por um tiro, supostamente disparado por traficantes. A Secretaria Estadual de Saúde informou nesta segunda-feira que o engenheiro permanece internado em estado grave no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Getúlio Vargas, na Penha, zona norte.

Silva passava a pé pelo local e foi atingido por uma bala perdida nas nádegas. Ele passa bem.

Segundo a polícia, o projétil que atingiu Barbosa entrou pelo vidro traseiro esquerdo do carro, que tinha película escura (insulfilm) em todos os vidros.

Sem sinalização

A Linha Amarela é uma das três principais vias expressas do Rio, e liga à Barra da Tijuca à Ilha do Fundão (sede da UFRJ), passando pela Avenida Brasil e pela Linha Vermelha. Para chegar ao Aeroporto Tom Jobim, o motorista precisa pegar um pequeno trecho da Linha Vermelha, antes de chegar à Ilha do Governador.

Atualmente não há qualquer placa indicando a entrada para a favela Vila do João, dominada por traficantes, na pista sentido Ilha do Fundão da Linha Amarela.

A Prefeitura do Rio informou que a Lamsa, concessionária que administra a via expressa, será multada porque "o projeto de sinalização original daquele trecho da Linha Amarela conta com uma placa na entrada da Vila do João e sua manutenção é de responsabilidade da Lamsa". Segundo a nota, a Prefeitura solicitou que a reposição da placa seja feita imediatamente.

Já a Lamsa disse "cumpre rigorosamente as normas estipuladas em relação à sinalização em todos os acessos e saídas principais da via, seguindo as regras estabelecidas pelos órgãos competentes para toda a cidade". A concessionária afirma ainda que "havia uma placa no local que, por ter sido danificada no início do mês, foi retirada. O prazo para a recolocação é amanhã" (terça-feira, 11).

A Polícia Militar informou que "divulgará em breve um esquema especial de segurança a ser implantado no trajeto entre o Aeroporto e a Avenida Brasil", trecho onde o engenheiro foi baleado.

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