Homens de voz grossa têm mais filhos, indica estudo

Sem controle de natalidade, homens tribais da Tanzãnia levam mesmo estilo de vida de nossos ancestrais

BBC,

26 de setembro de 2007 | 10h22

Homens de voz grossa têm tendência a ter mais filhos do que os de voz fina, sugere um estudo que acompanhou uma sociedade tribal na Tanzânia, publicado na revista especializada Biology Letters. A antropóloga Coren Apicella, da Universidade de Harvard, analisou as vozes dos homens da tribo de caçadores Hadza, que puderam ser objeto de estudo porque não têm controle de natalidade e vivem, basicamente, como nossos ancestrais. Segundo o estudo, compartilhado com David Feinberg, da Universidade McMaster e Frank Marlowe, da Florida State University, os homens de voz mais grossa têm, em média, dois filhos a mais do que os de voz mais fina. A conclusão confirma a observação de que as mulheres, em geral, preferem os barítonos, explicam os autores do artigo. "Há várias razões que podem explicar por que a voz grossa e uma reprodução bem sucedida estão relacionados", diz Apicella. Vozes mais grossas sugerem níveis mais altos de testosterona - o hormônio masculino - o que poderia levar as mulheres a ver esses homens como melhores caçadores e, conseqüentemente, melhores provedores, disse Apicella à BBC. "Ou pode ser que os homens de voz mais grossa simplesmente comecem a se reproduzir mais cedo. Nós ainda não sabemos o que está por trás disso", completou. Gravação O grupo de cientistas liderados por Apicella escolheu os Hadza por que "eles abrem uma janela para o nosso passado" e seu comportamento poderia ilustrar facetas chave da evolução. As mulheres Hadza catam frutas e tubérculos e os homens caçam e coletam mel. Os casamentos não são arranjados, então, os homens e mulheres podem escolher seus parceiros livremente. Os Hadza são monogâmicos, mas "casos" extra-conjugais são comuns, e a taxa de divórcio é alta.Para o estudo, os cientistas gravaram as vozes de 49 homens e 52 mulheres entre as idades de 18 e 55 anos. "O método foi muito simples", explica Apicella, "fui a nove vilarejos diferentes e gravei as vozes deles, com um microfone, falando 'Hujambo', que quer dizer 'olá'." "Depois analisei as vozes e sua tonalidade, e comparei com a história reprodutiva da pessoa - quantos filhos eles têm e quantos ainda estão vivos." Os resultados indicam uma relação entre a tonalidade e a quantidade de filhos dos homens, segundo ela, afirmando que os de voz mais grossa têm mais crianças.  "Nós também concluímos que, para as mulheres, a tonalidade da voz não está ligada à reprodução." Olimpíadas Hadza Por causa das semelhanças entre o estilo de vida Hadza e o de nossos ancestrais, o sucesso reprodutivo da tribo poderia ser um indicador de como os seres humanos evoluíram. Se as mulheres são mais atraídas por vozes mais grossas, isso poderia levar a uma seleção - em outras palavras, os homens de voz mais grossa se tornariam dominantes depois de algum tempo. "É possível que o dimorfismo vocal (a diferença de tonalidade entre as vozes masculina e feminina) tenha evoluído durante milhares de anos, parcialmente por causa da seleção de parceiros", disse a antropóloga. "Talvez, em algum momento, as vozes masculina e feminina fossem mais parecidas do que são hoje." O grupo planeja ampliar o estudo e agora analisa dados colhidos entre os Hadza para determinar se a voz grossa dos homens da tribo é um indicador de desempenho geral. "Eu organizei as 'Olimpíadas Hadza'", disse ela. "Os homens da tribo participaram de várias atividades, como competições de arco e flecha, corridas, caça, etc." "Agora vou analisar esses dados para ver se há relação entre a tonalidade da voz e o sucesso no desempenho geral e no reprodutivo", conclui.

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