Homicídio em Salvador cresce 31%, segundo secretaria

Secretaria de Segurança revela que, em 2008, houve 6 assassinatos por dia; índice registra aumento desde 2006

Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo, Agencia Estado

12 Janeiro 2009 | 08h05

Os dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública (SSP) da Bahia não deixam dúvidas: a violência em Salvador e na região metropolitana está avançando. De acordo com o levantamento do órgão, em 2008 houve 2.189 homicídios na área, média de seis por dia, o que representa crescimento de 31,5% com relação a 2007, quando foram registrados 1.665 assassinatos. E o quadro mantém evolução regular. Em 2006, haviam sido constatados pela SSP 1.223 homicídios na região.   Se 2008 foi marcado por crimes de grande repercussão, como a chacina que ficou conhecida como a maior da história da Bahia - em 7 de junho, sete pessoas, nenhuma com antecedentes criminais, foram mortas no bairro de Mussurunga -, 2009 não começou com perspectivas de melhora. Apenas na primeira semana do novo ano, a média diária de homicídios na região metropolitana pulou para 9,6.   Segundo a SSP, a explicação do forte crescimento dos homicídios está nas disputas de grupos do tráfico de drogas, cada vez mais frequentes. "Mais de 80% desses casos têm relação com o tráfico", acredita o secretário da Segurança, César Nunes. "Estamos tirando de circulação os principais líderes criminosos no Estado, o que acaba causando a disputa pelo poder dentro dos grupos."   O acirramento da briga entre quadrilhas começou com a morte de Eberson Souza Santos, o Pitty, em agosto de 2007, durante tiroteio com a polícia. Ele era apontado como o principal traficante do Estado. Desde então, existe forte disputa pelo poder entre o crime organizado, diz o secretário.   A única saída, segundo Nunes, está na valorização dos trabalhos de inteligência e da profissão policial. Um exemplo foi dado na quinta-feira. Depois de três meses de investigações, a Polícia Civil desarticulou uma quadrilha de tráfico de drogas em formação.   Ao longo de 2008, a SSP foi centro de algumas das principais ações do governo baiano. O Estado entregou mais de 200 carros às Polícias Civil e Militar, incorporou 3,2 mil novos PMs à corporação e instalou câmeras de vigilância na cidade. A prefeitura instalou câmeras em ônibus e lançou a Guarda Municipal.   Mas a administração da segurança pública continua sofrendo revezes. Em 22 de julho, apenas 20 dias depois de a Guarda Municipal ser apresentada à população, seu garoto-propaganda, Saidemberg Cruz de Santana, de 32 anos, que estampava outdoors pela cidade, foi assassinado a tiros.   Cerca de 400 dos 1.400 guardas municipais, segundo eles, não estão indo às ruas por falta de farda. A fornecedora, a Central de Negócios Comércio, alega problemas no recebimento de matéria-prima. O Ministério Público investiga o caso.   Na última quinta-feira, desapareceram 43 armas do Fórum Clemente Mariani, em Camaçari, na região metropolitana. O armamento era parte de provas de processos que tramitam na 1ª Vara Crime da cidade.

Mais conteúdo sobre:
crimeBahiahomicídios

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.