Honduras elege novo presidente após golpe de Estado de junho

Os hondurenhos escolhem um novo presidente neste domingo, em uma eleição que pode amenizar a crise deflagrada por um golpe de Estado em junho.

MICA ROSENBERG, REUTERS

29 de novembro de 2009 | 15h28

Mas nem o presidente Manuel Zelaya nem seu arquirival Roberto Micheletti, instalado como presidente interino pelo Congresso depois da deposição de Zelaya em junho, participam da votação.Isso deixa a porta aberta para que outra pessoa assuma o governo dessa nação centro-americana.

Há dúvidas sobre se o mundo irá reconhecer a eleição porque ela foi organizada por líderes golpistas e poderia por fim a qualquer esperança de Zelaya de voltar ao cargo.

Os dois favoritos na disputa vieram da elite governista e tentaram convencer os eleitores de que a votação é a maneira de Honduras seguir em frente.

"O que queremos é deixar essa crise para trás o mais rápido possível. A paciência das pessoas está se esgotando", disse Ivan Zuniga, de 33 anos, um bancário que votou no início da manhã na capital hondurenha.

Zelaya, que está abrigado na embaixada brasileira desde setembro, quando voltou a Honduras do exílio, diz que a eleição não vale nada e pede a seus simpatizantes que fiquem em casa.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos é a favor da eleição de domingo, mas essa posição afasta o presidente Barack Obama de alguns líderes latino-americanos, que dizem que a eleição organizada pelo governo de facto de Micheletti é inválida.

Obama quer melhorar os laços com a região -- ainda assombrada por memórias de governos militares apoiados pelos EUA no século 20 -- mas corre o risco de se isolar do Brasil e da Argentina, que rejeitam a eleição.

As urnas abriram às 7h (11h no Brasil) em mais de 5.000 distritos de Honduras.

"Queremos que a comunidade internacional reflita e escute a voz dos hondurenhos", disse Enrique Ortez do tribunal eleitoral.

Porfirio "Pepe" Lobo, do conservador Partido Nacional, da oposição, um rico proprietário de terras que perdeu a eleição de 2005 para Zelaya, é visto como o favorito.

Lobo diz que se vencer vai buscar um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional depois que doadores estrangeiros suspenderam a ajuda à empobrecida Honduras depois do golpe.

Em uma pesquisa de outubro da CID-Gallup, Lobo estava 16 pontos à frente de seu principal rival, Elvin Santos, do Partido Liberal, de Zelaya e Micheletti.

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