Hospital A.C. Camargo e Fiocruz compram novos sequenciadores

Máquinas que prometem sequenciar o genoma completo de uma pessoa em 1 dia, por US$ 1 mil,chegarão em setembro

HERTON ESCOBAR, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2012 | 03h05

O Hospital A.C. Camargo e a Fiocruz do Paraná devem receber no mês que vem as duas primeiras máquinas de sequenciamento no Brasil do modelo Ion Proton. O equipamento, segundo a empresa que o desenvolveu, Life Technologies, é o primeiro no mundo capaz de sequenciar um genoma humano inteiro em um dia, por US$ 1 mil - o marco mais cobiçado da indústria de biotecnologia nessa área.

As máquinas que as duas instituições brasileiras receberão fazem parte do primeiro lote comercial que será entregue mundialmente pela empresa. Atualmente, apenas quatro laboratórios no mundo têm o equipamento, em esquema de teste.

O grande diferencial em relação aos sequenciadores atualmente no mercado é que o Ion Proton utiliza uma tecnologia baseada em semicondutores para transformar as informações químicas contidas no DNA diretamente em informações digitais (uma sequência de letras A, T, C e G no computador), enquanto que as máquinas "tradicionais" precisam primeiro transformar as informações químicas em um sinal luminoso, que é captado por uma câmera digital e então transformado em dados informáticos.

A primeira máquina lançada pela Life Technologies com base nessa tecnologia, chamada Ion PGM (de Personal Genome Machine), é capaz de sequenciar 1,5 bilhão de nucleotídeos (as bases individuais do DNA) a cada cinco horas. Com o Ion Proton, a empresa espera chegar a 100 bilhões de nucleotídeos em 10 horas. O preço da nova máquina é de US$ 250 mil.

Segundo o supervisor de especialistas em sequenciamento da Life Technologies, Fernando Amaral, "qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo", será capaz de sequenciar um genoma humano em um dia, por US$ 1 mil, com a máquina. O prazo, segundo ele, inclui o tempo de processamento e análise dos dados, realizado por um computador que acompanha o sequenciador.

Aplicações. No Hospital A.C. Camargo, especializado em câncer, a máquina será usada para fins de pesquisa aplicada. "A ideia é que as informações geradas voltem o mais rápido possível para o paciente", diz o pesquisador Emmanuel Dias Neto.

O sequenciamento é uma ferramenta cada vez mais importante no diagnóstico e no tratamento do câncer, permitindo identificar mutações específicas de cada paciente e, assim, customizar a terapia e o acompanhamento às características genéticas de cada tumor específico.

Em casos de famílias com histórico de câncer de mama, por exemplo, o hospital poderá usar a máquina para sequenciar o genoma de uma ou mais mulheres da família, identificar as mutações envolvidas e fazer um aconselhamento genético de acordo com esses resultados.

O hospital já possui três sequenciadores de alta capacidade, com diferentes configurações. Dias Neto, porém, aposta no Ion Proton para dar ainda mais volume e velocidade às pesquisas. "Se eu faço rápido e faço barato, consigo sequenciar muito mais pacientes e, consequentemente, consigo gerar muito mais informação."

Prêmio. O "genoma de mil dólares" é uma espécie de Santo Gral da biotecnologia. Uma competição lançada em 2006, chamada Archon Genomics X Prize, vai pagar US$ 10 milhões a quem conseguir sequenciar 100 genomas humanos em 30 dias, por US$ 1 mil cada, com uma margem mínima de erro.

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