Hospital brasileiro testa nova droga para tratamento de lúpus

Referência em pesquisa sobre a doença, Abreu Sodré participou da criação do belimumabe e agora vai analisá-lo

Verônica Dantas, O Estado de S.Paulo

25 Junho 2011 | 00h00

Depois de participar das pesquisas que resultaram na criação do belimumabe, a primeira droga injetável para tratamento de lúpus nos últimos 56 anos, o Hospital Abreu Sodré iniciou um estudo para analisar a eficácia do medicamento.

A droga foi aprovada em março pela Food and Drug Administration (FDA, agência americana de vigilância sanitária). A comercialização, que já teve início nos Estados Unidos, deve começar no Brasil até o fim do ano. O custo ainda não foi definido.

Reconhecido como o maior polo de recrutamento de pacientes e de pesquisa clínica no País envolvendo o tratamento de lúpus, o Abreu Sodré - hospital vinculado à Associação de Assistência à Criança com Deficiência (AACD) - vai acompanhar como se comportam 20 pacientes submetidos ao medicamento.

A pesquisa, que deve durar 12 meses e tem o objetivo de conseguir a aprovação de órgãos oficiais para uso clínico do medicamento, está sendo realizada simultaneamente nos EUA e conta com a parceria de serviços de reumatologia de outros hospitais e universidades no País.

O lúpus atinge 1 em cada 1 mil mulheres no mundo, 65 mil pessoas no Brasil e pelo menos 6 mil em São Paulo, de acordo com estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia. A forma mais comum, conhecida como lúpus eritematoso sistêmico (LES), causa dores nas juntas, nas articulações, alterações na pele, fadiga, febre, mal-estar e comprometimento de órgãos, como rim, pulmão, cérebro e coração.

Desde que a doença foi identificada, há mais de 50 anos, o tratamento tem sido feito à base de corticoides e anti-inflamatórios, diz o diretor do Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital Abreu Sodré, Morton Scheinberg. A vantagem do Benlysta (nome comercial do belimumabe) e de outros imunossupressores, diz, é que esse tipo de droga interfere somente na produção de anticorpos e provoca menos efeitos colaterais.

Coordenador da Comissão de Lúpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia, Evandro Klumb reconhece a nova droga como inovadora, mas faz ressalvas. "O remédio só foi testado em pessoas com lúpus leve. Esses estudos não incluíram pessoas com as formas mais graves." A diferença com relação às outras drogas já utilizadas para tratar a doença, continua, é que o Benlysta foi desenvolvido especificamente para o lúpus.

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