Hospital em SP fica sem gesso e diretor alega boicote

Um possível boicote de funcionários deixou sem suprimento de gesso o Hospital Regional de Sorocaba (SP), o maior hospital público da região. Por falta do produto, usado para corrigir fraturas, pacientes chegaram a permanecer internados até 11 dias a mais que o necessário. Parte dos funcionários aderiu a uma greve estadual convocada pelo Sindicato dos Servidores da Saúde (Sindsaúde). De acordo com o diretor da unidade, Luis Carlos de Azevedo Silva, havia gesso em estoque na quantidade suficiente para atender toda a demanda. "Há um clima de insatisfação de parte dos funcionários e pode ser boicote", afirmou.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

20 Abril 2012 | 18h28

O hospital, mantido pelo Estado de São Paulo, atende três mil pacientes por dia e é referência para 38 municípios da região. Reportagem da TV Tem, da Rede Globo, gravou com câmera escondida depoimentos de pacientes que dependiam da colocação do gesso para receber alta. Um deles contou ter ficado com o braço quebrado sem o gesso durante 11 dias. "Colocaram só uma faixa, mas era mole", disse. Um rapaz, com uma perna e um braço quebrados num acidente, disse que esperava pelo gesso havia uma semana. "O médico dispensou da cirurgia, mas não deu alta porque não tem gesso", contou. Funcionários disseram terem sido obrigados a pedir gesso emprestado à Santa Casa, outro hospital da cidade. Alegaram ainda que o gesso para adultos era usado também em bebês.

De acordo com o diretor, havia cerca de mil caixas de gesso no almoxarifado, mas o material não foi colocado à disposição da ortopedia e de outros setores que utilizam o insumo. "Houve falta pontual de algumas telas de tamanho médio, mas poderiam ser adaptadas as telas maiores", disse. Segundo ele, os responsáveis pelo estoque deixaram de informar a disponibilidade do produto. "Houve falta de comunicação ou má-fé, por isso vamos fazer uma apuração interna".

O SindSaúde informou que a falta de materiais no hospital é recorrente e culpar o funcionário é a pior forma de resolver o problema. No ano passado, o hospital esteve sob intervenção, após a prisão de médicos, funcionários e ex-diretores, envolvidos num esquema de fraudes em licitações e pagamentos por plantões não realizados. O processo contra os envolvidos está suspenso por decisão judicial.

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