Houve erro humano no choque de trens, aponta Supervia

Uma sucessão de cinco erros cometidos por um controlador e pelo maquinista de trens de passageiros causou o acidente entre duas composições, que deixou 8 mortos e 101 feridos, no último dia 30, concluiu relatório da Supervia divulgado hoje. De acordo com o presidente da concessionária que opera o serviço de trens do Estado do Rio, Amin Murad, o acidente não poderia ter sido evitado e foi "uma fatalidade". O primeiro erro, segundo o laudo, foi cometido pelo controlador, que fica no Centro Operacional da Empresa. Ele deveria ter impedido que o trem de passageiros saísse da estação de Comendador Soares. A composição deveria ter ficado parada, esperando uma manobra do trem de cargas na estação seguinte. A segunda falha apontada pela comissão que investigou o acidente foi a alta velocidade mantida pelo maquinista do trem de passageiros. Ele viajava a 76 km/h, quando a velocidade máxima permitida é 60 km/h. Em seguida, o mesmo maquinista ultrapassou um sinal amarelo sem reduzir a velocidade, como é a regra na ferrovia. Apesar de observar os dois erros do maquinista, o controlador manteve a autorização para o condutor do trem de cargas fazer a manobra (mudar de uma linha para a outra). As composições acabaram ficando frente a frente, a curta distância. Por último, o maquinista do trem de passageiros ultrapassou o sinal vermelho. Neste último ponto, segundo os próprios técnicos da Supervia, não haveria mais tempo de frear, já que a distância era de apenas 60 metros entre as duas composições. Mesmo assim, segundo o relatório, o trem de passageiros chegou a reduzir a velocidade para 36 km/h quando bateu. O relatório será enviado ao delegado Fábio Pacífico, que investiga o acidente. Segundo o diretor, amanhã haverá reunião para decidir o destino dos funcionários da Supervia. A concessionária informou que fez acordos para pagamento de indenização a três famílias - uma de um passageiro morto e duas de feridos. Os valores não foram revelados.

TALITA FIGUEIREDO, Agencia Estado

10 de setembro de 2007 | 17h42

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