Hypermarcas prioriza geração de caixa para voltar a crescer

Após sofrer os efeitos da desaceleração generalizada de consumo, intensificada pela adoção de uma nova política comercial, a Hypermarcas considera estar no caminho para voltar a crescer com rentabilidade.

VIVIAN PEREIRA, REUTERS

12 Março 2012 | 13h21

"O foco agora é gerar caixa e reduzir o endividamento", disse o presidente-executivo da companhia, Cláudio Bergamo, em teleconferência nesta segunda-feira. "A grande meta é promover o crescimento orgânico e rentável com geração de caixa", acrescentou, destacando a continuidade dos investimentos na consolidação das operações.

A empresa de bens de consumo encerrou 2011 com prejuízo líquido de 54,7 milhões de reais, revertendo prejuízo de 262 milhões de reais no ano anterior.

Se considerado apenas o quarto trimestre, o lucro caiu 41 por cento, para 49,6 milhões de reais, ficando abaixo da estimativa média de seis analistas consultados pela Reuters, de ganho de 65,2 milhões de reais.

Já a receita líquida subiu 19,1 por cento no ano e 1,3 por cento no trimestre, para 3,3 bilhões e 841,8 milhões de reais, respectivamente.

Implantada no primeiro trimestre de 2011 -e concluída em dezembro-, a nova política comercial da Hypermarcas, visando a desestocagem dos clientes, incluiu redução de descontos de preços dos produtos ao varejo e corte de prazos, com maiores impactos nos resultados da empresa no segundo semestre.

O fluxo de caixa operacional da empresa aumentou em mais de oito vezes no último ano, para 580,2 milhões de reais, sendo que o quarto trimestre respondeu por 288,9 milhões de reais.

"As medidas foram tomadas para que a companhia possa voltar a crescer com rentabilidade, sustentavelmente e com geração de caixa", afirmou Bergamo. Segundo ele, o processo resultou em níveis de estoque a patamares mais adequados.

Nesse sentido, com os clientes retornando às compras e com menores impactos macroeconômicos, o executivo disse que as vendas da Hypermarcas no atual trimestre estão em linha com o orçamento traçado para atingir a meta de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de 850 milhões de reais este ano.

Segundo Bergamo, 20 por cento da meta de Ebitda ajustado deve ser realizada no primeiro trimestre.

"Estamos trabalhando cada vez mais com metas ligadas a performance (dos executivos)... O foco da companhia é entregar o 'guidance'", afirmou.

Como uma das formas de cumprir a estimativa, a Hypermarcas vinculou parte relevante dos incentivos pagos aos executivos à meta de Ebitda.

De acordo com o executivo, "50 por cento dos bônus pagos a todos executivos até o quarto nível depende do Ebitda absoluto total da companhia", com o restante se referindo ao desempenho individual.

O Ebitda ajustado da Hypermarcas em 2011, antes de receitas não recorrentes, somou 712,4 milhões de reais, queda de 3 por cento. No quarto trimestre apenas, a queda foi de 37,8 por cento, para 139,1 milhões de reais.

Com a adoção da nova política comercial, a empresa havia reduzido em novembro passado, pela segunda vez, a estimativa de Ebitda para 2011, para 700 milhões de reais, contra previsão de valor acima de 1 bilhão de reais antes.

A Hypermarcas fechou o ano passado com dívida líquida de 2,75 bilhões de reais. Se considerado o câmbio médio de 2012 e valores a receber da venda de ativos, o endividamento ficou em 2,59 bilhões, equivalente a cerca de três vezes o Ebitda projetado para este ano.

A ação da Hypermarcas caía 0,17 por cento às 13h06, a 11,43 reais, contra queda de 0,64 do Ibovespa. O papel se recuperava das mínimas vistas mais cedo, quando chegou a recuar mais de 4 por cento.

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