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Ibama autoriza e Campinas vai abater capivaras

São 20 animais em um parque da cidade, fechado desde 2008 após mortes por doença causada por um carrapato que o roedor leva

Rose Mary de Souza, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

As 20 capivaras confinadas no Lago do Café, parque com 300 quilômetros quadrados ao lado de outro parque, a Lagoa do Taquaral, área nobre de Campinas, serão abatidas. A decisão de eliminar os animais tem a autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e é respaldada pela Superintendência de Controle de Endemias do Estado de São Paulo (Sucen).

De 2001 a 2010, três funcionários do parque morreram de febre maculosa, transmitida pelo carrapato-estrela presente nas capivaras. A doença atacou um quarto funcionário, que sobreviveu. O Lago do Café está restrito à visitação pública desde 2008.

O secretário de Saúde, Francisco Kerr Saraiva, afirmou que o sacrifício dos animais será acatado "por determinação do Ibama e recomendações e protocolo tanto da Sucen como do Ministério da Saúde". "Analisamos várias possibilidades, estudamos, voltamos a conversar com especialistas e não existe alternativa de uma ação de saúde pública, que não implique em risco para o meio ambiente e para o ser humano", declarou.

Ainda não há data para o abate. As capivaras mortas vão para um aterro sanitário. Depois, será removida uma camada de 10 centímetros de terra e gramado que os animais pisoteavam. A seguir, aração do terreno e remoção de velhos arbustos. A aplicação de inseticidas pode ser estudada, de maneira que não afete outros animais do local, como preás, gambás e aves. O trabalho pode levar meses, dependendo do clima.

"Cada animal carrega de centenas a milhares de carrapatos. A capivara é um animal silvestre de vida livre e não pode viver em um cercado", disse a diretora de Vigilância Epidemiológica de Campinas, Brigina Kemp. Em 2010, dez pessoas contraíram a doença em Campinas. Desde 1999, as 19 cidades da região metropolitana registraram 75 casos, com 30 mortes (há casos sob investigação).

Debate. O presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais, Flávio Lamas, defende o uso de carrapaticidas ou a transferência dos animais. Ele entrou com ação na 7.ª Vara de Justiça, pedindo a suspensão do abate. Saraiva respondeu que o uso de carrapaticida pode provocar "um desastre ecológico e intoxicar as capivaras". Quanto a transferir os animais, ele diz que isso "seria transferir o problema".

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