Ibama evita desmatamento de 5 mil hectares de caatinga

Preservação é resultado do Mata Nativa, que busca o uso sustentável do bioma e a regularização das empresas

ANGELA LACERDA, Agencia Estado

17 Julho 2008 | 17h49

Cerca de 5 mil hectares de área de caatinga deixaram de ser desmatados de novembro a julho, como resultado do programa Mata Nativa, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que busca o uso sustentável do bioma e a regularização ambiental das empresas do pólo gesseiro do Sertão do Araripe, em Pernambuco. A informação foi dada nesta quinta-feira, 17, pelo superintendente do Ibama no Estado, João Arnaldo Novaes, que fez um balanço parcial da ação que inclui o Sindicato das Indústrias do Gesso (Sindusgesso) e a Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH).Segundo Novaes, o consumo anual de lenha ilegal - proveniente de desmatamento da caatinga - pela indústria gesseira era de 7,7 mil hectares em 2004. Em 2008, a área total desmatada deve ficar em torno de 1,9 mil hectares. Até julho, o desflorestamento atingiu 1,2 mil hectares. O Ibama considera que o pólo gesseiro - responsável por 95% do gesso produzido no País e também pelo desmatamento de 80 mil hectares de caatinga nos últimos dez anos - abrange 115 empresas. Em 2004, o número das empresas que detinham licença ambiental era de 17. Hoje, elas são maioria: 97 trabalham legalmente contra 18 ainda irregulares.Segundo levantamento do Ibama, a lenha de devastação da caatinga, que representava 80% da fonte energética da indústria gesseira em 2004, caiu para 20% em 2008. As espécies de planos de manejo sustentável passaram de 5% para 15%, enquanto a lenha de espécies frutíferas (poda de cajueiro) e exóticas (algaroba) passaram de 15% para 65%, tornando-se a principal matriz usada para alimentar os fornos para a produção de gesso.O Araripe pernambucano possui a maior reserva de gipsita das Américas. As empresas que exploram a gipsita se instalaram na área de forma desordenada, sem preocupação com a sustentabilidade da matriz energética existente. Para produzir gesso, compravam a lenha para alimentar os fornos e a indústria sem se importar de onde ela vinha, enquanto o vendedor de lenha desmatava - numa concepção cultural de não valorizar o bioma, mas de "limpar o mato" - visando o dinheiro imediato, a sobrevivência.PFEste quadro, segundo o superintendente do Ibama no Estado, está mudando. Em novembro, o Ibama, com a Polícia Federal (PF), deflagrou a Operação Mata Branca, que embargou um total de 42 empresas, depois de um levantamento da área - com identificação das irregularidades. Hoje, apenas três continuam embargadas.O presidente do Sindusgesso, Josias Inojosa Filho, engajado na meta de regularização ambiental, afirma que, apesar do balanço parcial positivo, "a charada ainda não está resolvida". Inojosa Filho destacou a necessidade de se buscar a eficiência dos fornos de calcinação do gesso - capazes de produzir mais com menos lenha -, além do manejo sustentável da caatinga, do reflorestamento do bioma e do uso de combustíveis fósseis. O pólo gesseiro pernambucano produz 2,8 milhões de toneladas de gesso por ano. Cerca de 90% dessa produção abastecem a construção civil.

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