IBGE: nº de moradores de favelas no RJ pode ser menor

O número de moradores das principais favelas do Rio de Janeiro pode estar superestimado, indica resultado preliminar do Censo 2010. Em nota divulgada à imprensa no dia 11, a secretaria de Estado da Casa Civil informava que havia 130 mil habitantes na Rocinha, quase o dobro do número divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): 69.365.

WILSON TOSTA E FELIPE WERNECK, Agência Estado

29 Abril 2011 | 18h39

O resultado é parecido com o que foi apurado no Complexo do Alemão, na zona norte (69.143 moradores), e bem menos que os 100 mil citados pelo governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) em carta disponível no site do governo.

O IBGE também informa a média de moradores por domicílio: 3,3 no Complexo do Alemão e 3,0 na Rocinha, ante 2,9 na média da cidade. O Governo do Rio chegou a realizar um censo próprio nessas favelas em 2010 durante obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas comunidades. A estimativa chegou a 89.912 pessoas no Complexo do Alemão e a 98.319 na Rocinha.

O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, disse que as diferenças podem ser resultantes do conceito usado pelo IBGE para definir uma favela. "O IBGE faz o seu próprio mapeamento, com um critério próprio. No conceito de aglomerado subnormal, há uma série de requisitos a serem preenchidos, como não ter acesso a serviços públicos, etc".

Segundo ele, foram identificados no País cerca de 300 municípios com chamados aglomerados subnormais, mas esse dado ainda precisa ser trabalhado - o IBGE apresentará seus mapas às prefeituras para compará-los com informações das administrações locais. "Do ponto de vista conceitual, nem todos são favelas. Favela é um conceito carioca. No Amapá existem outros grupamentos vivendo em condições urbanísticas não apropriadas. Vamos ver qual é a leitura do IBGE e qual é a leitura das prefeituras. Abordaremos essas questões territoriais antes de mostrar todos os dados", disse Nunes.

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