IBGE revisa PIB de trimestres anteriores

Ajustes sazonais são uma das razões

Fernando Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

11 Dezembro 2009 | 00h00

As grandes revisões da série do PIB trimestral anunciadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) devem-se a uma confluência de três fatores. O primeiro é a incorporação na série dos resultados anuais definitivos do PIB de 2007, somada à revisão de dados primários e à inclusão da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad) 2008. Essa correção modificou os resultados originais, isto é, sem o ajuste sazonal, e influenciou a revisão do recuo do PIB do segundo trimestre, comparado a igual período de 2008, de 1,2% para1,6%.

Uma das razões foi o aumento, com a incorporação de 2007, do peso dos investimentos no PIB - a queda drástica dos investimentos em 2009 acabou subtraindo uma fatia do PIB ainda maior do que se calculara anteriormente.

Os dois outros fatores estão associados aos ajustes sazonais. Como explica Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do IBGE, o método de ajuste sazonal alimenta-se não só do resultado de trimestres anteriores àquele que está sendo efetivamente calculado, mas também de projeções de trimestres posteriores.

Quando o resultado do PIB do segundo trimestre de 2009 foi divulgado em setembro, foi registrado um crescimento de 1,9% em relação ao primeiro trimestre, com ajuste sazonal. O modelo que fez esse cálculo, porém, embutiu uma projeção sobre qual seria o resultado do PIB no terceiro trimestre de 2009. Ontem, o IBGE divulgou o verdadeiro crescimento do PIB no terceiro trimestre, e o colocou no lugar daquela projeção - dessa forma, o ajuste sazonal do PIB do segundo trimestre mudou.

O terceiro fator está ligado ao fato de que a queda do PIB no quarto trimestre de 2008 foi tão forte que foi inicialmente considerada (por meio de testes incluídos na metodologia) como "outlier", ou ponto atípico. De forma simplificada, pode-se dizer que, quando um trimestre é considerado "outlier", ele é retirado dos cálculos que fazem o ajuste sazonal.

Segundo Rebeca, até o segundo trimestre de 2009, todo esse período de crise ainda era tratado como "mudança de nível", o que implica ser basicamente desconsiderado no ajuste sazonal. Isso mudou, porém, no terceiro trimestre de 2009, e aquele período, a partir do último trimestre de 2008, foi reincluído no cálculo, mudando toda a série. Nos próximos trimestres, ela alerta, tudo pode mudar de novo, e o período voltar a ser considerado "mudança de nível"

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