Ideal é raiz ter maior teor de amido

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João Carlos de Faria, Especial para O Estado

12 Agosto 2009 | 03h25

A Fazenda Santa Terezinha é uma das maiores produtoras de mandioca de Conceição dos Ouros, com cerca de 50 hectares consorciados com milho. Segundo o agrônomo e administrador da fazenda, João Augusto Storion, o plantio da safra que está sendo colhida agora foi feito em 2007 - o ciclo da mandioca é de 18 meses - e atrasou por causa da seca.

 

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"Logo após o plantio houve muita chuva e isso trouxe problemas para a produtividade, o que repercute na colheita", diz Storion. Na fazenda, a produtividade média de 32 toneladas por hectare reduziu-se em 40%, sofrendo também com o ataque da mosca branca, que atingiu as lavouras da região.

Na concorrência com o Paraná, segundo ele, Conceição dos Ouros perde por causa do custo, que é três vezes maior do que a média do mercado exportador de fécula, e a falta de tecnologia para a mandioca, causando impacto localmente. "Nós levamos a vantagem de ter um produto incomparavelmente superior aos demais que estão no mercado."

O Paraná é um dos maiores produtores de mandioca do Brasil e deve ampliar a área plantada neste ano, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). A estimativa é a de que aumente de 148 mil hectares para 192 mil hectares de área plantada. O Brasil produziu no ano passado 26,6 milhões de toneladas de raiz de mandioca, devendo repetir este volume neste ano.

De acordo com Storion, as variedades adotadas pelos produtores do município foram desenvolvidas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC-Apta), a partir da mandioca brava, a mesma que se usa para fazer farinha. É uma mandioca com alto teor de ácido cianídrico e não serve para ser cozida.

MAIS AMIDO

"São a IAC 12, IAC 13 e IAC 14, variedades que possuem maior teor e mais qualidade do amido, tolerância à bacteriose e maior sombreamento, gerando menos trabalho no controle do capim, entre outras características", afirma. Em Conceição dos Ouros a produtividade média chega a 18 toneladas por hectare, cerca de 30% acima da média nacional.

As informações são confirmadas pela pesquisadora do IAC, Teresa Losada Valle. Ela explica que essas são variedades que se adaptaram bem à região de Conceição dos Ouros. Segundo ela, a IAC 12 não é bem aceita no Paraná porque não se adapta ao plantio mecanizado e a IAC 13, por causa da tendência ao alongamento das raízes, embora sua película clara seja um atrativo para a indústria.

"Já a IAC 14 tem a película escura, o que não agrada muito às fábricas de farinha, mas é a preferida na produção de fécula, por causa da boa porcentagem de amido, que proporciona alto rendimento industrial", diz. A variedade é de porte alto e se adapta bem a solos de baixa fertilidade. De modo geral, as variedades utilizadas em Conceição dos Ouros rendem 25% de amido.

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