Ideli adota cautela com emendas, defende rigor fiscal

A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, adotou tom de cautela nesta quarta-feira em relação às emendas parlamentares, ao mesmo tempo que defendeu a necessidade do governo manter o rigor fiscal e a contenção do gasto público.

REUTERS

15 Junho 2011 | 15h00

A liberação de recursos para as emendas é um pleito de líderes da base de apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff na Câmara. Eles estão insatisfeitos com o corte promovido no esforço para conter os gastos.

Empossada na segunda-feira, a nova responsável pela articulação política de Dilma, disse que o momento econômico exige "responsabilidade", mas que dará atenção à demanda dos aliados e que será "presença assídua" nas conversas com parlamentares.

"Esse rigor nas medidas econômicas adotadas que estão surtindo efeitos, isso não pode ser modificado porque este é o ano efetivamente onde todos temos de estar responsáveis com o equilíbrio fiscal, com o controle da inflação e com o crescimento com a distribuição da renda", disse Ideli após visita de cortesia ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS).

O corte de 50 bilhões de reais do Orçamento anunciado em fevereiro pelo governo afetou cerca de 85 por cento de todas emendas parlamentares.

Líderes de bancadas da base pediram a Ideli o empenho de 50 por cento das emendas individuais de 2011 até julho, mas não receberam nenhum sinal de prazo dela.

"O desejo é sempre muito maior do que a possibilidade concreta... agora, nós vamos olhar com muita atenção aos pleitos que as bancadas, que os lideres estão apresentando. E dentro das possibilidades, principalmente num ano como este onde os resultados já estão sendo observados e sentidos", afirmou.

Maia concordou com a postura de Ideli, mas afirmou que há uma expectativa dos parlamentares de que o governo e a própria ministra trabalhem para elaborar um cronograma de liberação de emendas.

"A ministra foi cuidadosa com este tema. Ela também não pode fazer promessas que não possam ser efetivamente cumpridas. Há um debate que vai ter que acontecer aí nos próximos dias", comentou o presidente da Casa.

Na reunião com Maia, Ideli tratou de outros temas, como o desejo do governo de ver aprovado um regime mais flexível para licitações de obras para a Copa do Mundo, em 2014, e para a Olimpíada, em 2016.

"O presidente Marco Maia nos assegurou que vai haver um esforço significativo para que nós possamos vencer a votação no dia de hoje, porque há uma necessidade desse regime diferenciado de contratação", disse.

Em reunião na manhã desta quarta-feira, líderes da base aliada fecharam o texto da emenda que irá inserir esse regime diferenciado de contratações na medida provisória 527, que cria a Secretaria de Aviação Civil.

Maia confirmou que a votação está prevista para esta quarta.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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