Ideli nega na Câmara irregularidades durante gestão na Pesca

A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, negou nesta quarta-feira, em audiência na Câmara, envolvimento em denúncias de irregularidade em processo de licitação de lanchas para o Ministério da Pesca, pasta que liderou de janeiro a junho do ano passado.

REUTERS

16 Maio 2012 | 14h05

Em audiência na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, para a qual foi convocada, a ministra usou como argumento a recente decisão unânime da Comissão de Ética Pública da Presidência da República que arquivou procedimento para investigar a ministra.

"Eu vou me reportar ao que disse o ministro Sepúlveda Pertence (presidente da Comissão de Ética). Ele foi muito claro. Eu não assinei, eu não contratei, eu não licitei, mas eu paguei porque obrigada era a pagar. O contrato estava em vigor", disse a ministra, lembrando que a licitação foi firmada pela gestão anterior, antes de assumir o controle da pasta.

Denúncias publicadas a partir de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontam possível desperdício de 31 milhões de reais em licitação de lanchas pelo Ministério da Pesca. A empresa beneficiada pela compra teria feito doações ao diretório do PT de Santa Catarina na época em que Ideli concorria ao governo do Estado.

A ministra admitiu ter encontrado com o proprietário da empresa em solenidade de entrega de uma das lanchas em questão, mas negou qualquer tipo de relação com a empresa ou seus dirigentes.

"Não faz parte das minhas relações", declarou à comissão de deputados.

"Eu pessoalmente e nem nenhuma pessoa da minha coordenação de campanha tem qualquer relação com pedido de contribuição legal para a campanha", disse a ministra. "Não há contribuição direta para a minha campanha. Foi uma doação dentro da legalidade para o comitê financeiro do PT."

Ideli voltou a se referir à declaração do TCU, atestando que seu nome não consta em processos em andamento no órgão de fiscalização. Destacou ainda que a auditoria do tribunal que deu origem às denúncias teve início quando já havia deixado o Ministério da Pesca para assumir a Secretaria das Relações Institucionais.

A ministra, que comanda a interlocução política do Planalto com o Congresso, disse ainda que exercia o mandato de senadora na época em que a licitação suspeita foi fechada.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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