IGP-DI tem maior alta em 19 meses

Alta de 1,09% em fevereiro ameaça meta de inflação

Alessandra Saraiva, RIO, O Estadao de S.Paulo

09 de março de 2010 | 00h00

O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) levantou um sinal de alerta para a inflação em 2010. O indicador subiu 1,09% em fevereiro, o maior resultado em 19 meses e o mais forte para um mês de fevereiro em sete anos. Mas, a grande preocupação veio dos preços ao consumidor: o núcleo da inflação do varejo subiu 0,41% no mês passado.

"Cada vez temos mais argumentos de que a trajetória da inflação está mudando. O núcleo avança cada vez mais rápido. Na prática, mostra que temos mais produtos em alta no varejo", disse Salomão Quadros coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas, que calcula o índice. Embora tenha recuado em relação a janeiro (0,47%), o núcleo do varejo apresentou o pior resultado para um mês de fevereiro dos últimos seis anos.

O IGP-DI é usado como indexador das dívidas dos Estados junto à União, que somam cerca de R$ 320 bilhões. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul representam quase 90% deste total. Já o núcleo da inflação mede a variação dos preços do varejo, excluindo as mais expressivas quedas e altas. É usado para avaliar tendências futuras na inflação junto ao consumidor.

Para Quadros, a conjuntura de preços em alta "é o preço a se pagar pela recuperação da economia". Ele explicou que, com a retomada econômica, as demandas doméstica e internacional foram fortalecidas. Isso criou um cenário em que a procura por produtos é maior do que a oferta, levando a aumentos de preços em vários setores.

Para ele, acelerações no núcleo são preocupantes para o governo, que fixou o centro da meta inflacionária em 4,5%. O núcleo mostra uma inflação resistente no varejo, não relacionada a reajustes pontuais de preços. "A meta de 4,5% está cada vez mais ameaçada", disse Quadros, não descartando aumento na taxa básica de juros na próxima reunião do Copom.

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